"Os adultos jovens, em todos os cantos do mundo, principalmente no Oriente Médio, tomaram as ruas e derrubaram ditaduras. E, isso, sem disparar um único tiro. A coragem deles inspira outros. Vivemos hoje momento de imensa força, nesse instante, uma onda empurrada por adultos jovens está em marcha e não será detida", diz Michael Moore em carta enviada a estudantes do Estado de Wisconsin, que saíram às ruas contra um projeto para cortar direitos trabalhistas dos funcionários públicos do Estado.
Redação
Milhares de servidores públicos unidos a grupos estudantis realizaram protestos sábado (19) em frente ao Capitólio do estado norte-americano do Winsconsin, na cidade de Madison. Foi o quinto dia de manifestações contra um projeto de lei apresentado pelo novo governador, o republicano Scott Walker. O objetivo do projeto é cortar gastos do orçamento estadual através da supressão de direitos trabalhistas em todo o Estado. O suposto equilíbrio das contas do Estado ocorreria com a anulação dos convênios coletivos com os funcionários públicos. Entusiasmado com a mobilização dos estudantes, o cineasta Michael Moore enviou uma carta aberta para eles pedindo que se rebelem. Segue a carta:
Caros Estudantes:
Que inspiração, a de vocês, que se uniram aos milhares de estudantes das escolas de Wisconsin e saíram andando das salas de aula há quatro dias e agora estão ocupando o prédio do State Capitol e arredores, em Madison, exigindo que o governador pare de assaltar os professores e outros funcionários públicos !
Tenho de dizer que é das coisas mais entusiasmantes que vi acontecer em anos.
Vivemos hoje um fantástico momento histórico. E aconteceu porque os jovens em todo o mundo decidiram que, para eles, basta. Os jovens estão em rebelião – e é mais que hora!
Vocês, os estudantes, os adultos jovens, do Cairo no Egito, a Madison no Wisconsin, estão começando a erguer a cabeça, tomar as ruas, organizar-se, protestar e recusar a dar um passo de volta para casa, se não forem ouvidos. Totalmente sensacional!!
O poder está tremendo de medo, os adultos maduros e velhos tão convencidos que que fizeram um baita trabalho ao calar vocês, distraí-los com quantidades enormes de bobagens até que vocês se sentissem inpotentes, mais uma engrenagem da máquina, mais um tijolo do muro. Alimentaram vocês com quantidades absurdas de propaganda sobre “como o sistema funciona” e mais tantas mentiras sobre o que aconteceu na história, que estou admirado de vocês terem derrotado tamanha quantidade de lixo e estejam afinal vendo as coisas como as coisas são.
Fizeram o que fizeram, na esperança de que vocês ficariam de bico fechado, entrariam na linha e obedeceriam ordens e não sacudiriam o bote. Porque, se agitassem muito, não conseguiriam arranjar um bom emprego! Acabariam na rua, um freak a mais. Disseram que a política é suja e que um homem sozinho nunca faria diferença.
E por alguma razão bela, desconhecida, vocês recusaram-se a ouvir. Talvez porque vocês deram-se conta que nós, os adultos maduros, lhes estamos entregando um mundo cada vez mais miserável, as calotas polares derretidas, salários de fome, guerras e cada vez mais guerras, e planos para empurrá-los para a vida, aos 18 anos, cada um de vocês já carregando a dívida astronômica do custo da formação universitária que vocês terão de pagar ou morrerão tentando pagar.
Como se não bastasse, vocês ouviram os adultos maduros dizer que vocês talvez não consigam casar legalmente com quem escolherem para casar, que o corpo de vocês não pertence a vocês, e que, se um negro chegou à Casa Branca, só pode ter sido falcatrua, porque ele é imigrado ilegal que veio do Quênia.
Sim, pelo que estou vendo, a maioria de vocês rejeitou todo esse lixo. Não esqueçam que foram vocês, os adultos jovens, que elegeram Barack Obama. Primeiro, formaram um exército de voluntários para conseguir a indicação dele como candidato. Depois, foram as urnas em números recordes, em novembro de 2008. Vocês sabem que o único grupo da população branca dos EUA no qual Obama teve maioria de votos foi o dos jovens entre 18 e 29 anos? A maioria de todos os brancos com mais de 29 anos nos EUA votaram em McCain – e Obama foi eleito, mesmo assim!
Como pode ter acontecido? Porque há mais eleitores jovens em todos os grupos étnicos – e eles foram às urnas e, contados os votos, viu-se que haviam derrotado os brancos mais velhos assustados, que simplesmente jamais admitiriam ter no Salão Oval alguém chamado Hussein. Obrigado, aos eleitores jovens dos EUA, por terem operado esse prodígio!
Os adultos jovens, em todos os cantos do mundo, principalmente no Oriente Médio, tomaram as ruas e derrubaram ditaduras. E, isso, sem disparar um único tiro. A coragem deles inspira outros. Vivemos hoje momento de imensa força, nesse instante, uma onda empurrada por adultos jovens está em marcha e não será detida.
Apesar de eu, há muito, já não ser adulto jovem, senti-me tão fortalecido pelos acontecimentos recentes no mundo, que quero também dar uma mão.
Decidi que uma parte da minha página na Internet será entregue aos estudantes de nível médio para que eles – vocês – tenham meios para falar a milhões de pessoas. Há muito tempo procuro um meio de dar voz aos adolescentes e adultos jovens, que não têm espaço na mídia-empresa. Por que a opinião dos adolescentes e adultos jovens é considerada menos válida, na mídia-empresa, que a opinião dos adultos maduros e velhos?
Nas escolas de segundo grau em todos os EUA, os alunos têm ideias de como melhorar as coisas e questionam o que veem – e todas essas vozes e pensamentos são ou silenciadas ou ignoradas. Quantas vezes, nas escolas, o corpo de alunos é absolutamente ignorado? Quantos estudantes tentam falar, levantar-se em defesa de uma ou outra ideia, tentar consertar uma coisa ou outra – e sempre acabam sendo vozes ignoradas pelos que estão no poder ou pelos outros alunos?
Muitas vezes vi, ao longo dos anos, alunos que tentam participar no processo democrático, e logo ouvem que colégios não são democracias e que alunos não têm direitos (mesmo depois de a Suprema Corte ter declarado que nenhum aluno ou aluna perde seus direitos civis “ao adentrar o prédio da escola”).
Sempre fico abismado ao ver o quanto os adultos maduros e velhos falam aos jovens sobre a grande “democracia” dos EUA. E depois, quando os estudantes querem participar daquela “democracia”, sempre aparece alguém para lembrá-los de que não são cidadãos plenos e que devem comportar-se, mais ou menos, como servos semi-incapazes. Não surpreende que tantos jovens, quando se tornam adultos maduros, não se interessem por participar do sistema político – porque foram ensinados pelo exemplo, ao longo de 12 anos da vida, que são incompetentes para emitir opiniões em todos os assuntos que os afetam.
Gostamos de dizer que há nos EUA essa grande “imprensa livre”. Mas que liberdade há para produzir jornais de escolas de segundo gráu? Quem é livre para escrever em jornal ou blog sobre o que bem entender? Muitas vezes recebo matérias escritas por adolescentes, que não puderam ser publicadas em seus jornais de escola. Por que não? Porque alguém teria direito de silenciar e de esconder as opiniões dos adolescentes e adultos jovens nos EUA?
Em outros países, é diferente. Na Áustria, no Brasil, na Nicarágua, a idade mínima para votar é 16 anos. Na França, os estudantes conseguem parar o país, simplesmente saindo das escolas e marchando pelas ruas.
Mas aqui, nos EUA, os jovens são mandados obedecer, sentar e deixar que os adultos maduros e velhos comandem o show.
Vamos mudar isso! Estou abrindo, na minha página, um “JORNAL DA ESCOLA” [orig. "HIGH SCHOOL NEWSPAPER", em http://mikeshighschoolnews.com/]. Ali, vocês podem escrever o que quiserem, e publicarei tudo. Também publicarei artigos que vocês tenham escrito e que foram rejeitados para publicação nos jornais das escolas de vocês. Na minha página vocês serão livres e haverá um fórum aberto, e quem quiser falar poderá falar para milhões.
Pedi que minha sobrinha Molly, de 17 anos, dê o pontapé inicial e cuide da página pelos primeiros seis meses. Ela vai escrever e pedirque vocês mandem suas histórias e ideias e selecionará várias para publicar em MichaelMoore.com. Ali estará a plataforma que vocês merecem. É uma honra para mim que se manifestem na minha página e espero que todos aproveitem.
Dizem que vocês são “o futuro”. O futuro é hoje, aqui mesmo, já. Vocês já provaram que podem mudar o mundo. Aguentem firmes. É uma honra poder dar uma mão.
Tradução: Vila Vudu
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
É APENAS UM FILME
Posted: 19/02/2011 by Antonio Ozaí da Silva in reflexões do quotidiano
Certa feita, minha filha assistia a um filme na TV. Embora não suporto filmes dublados, por alguns instantes fiz-lhe companhia. Esqueci que ela detesta interrupções quando está diante do templo midiático e, imprudentemente, disse: “Este filme é um atentado à inteligência”. Continuei a argumentar. Ela interrompeu e, sem disfarçar a irritabilidade, sentenciou: “Pai, é apenas um filme!” Parei e pensei: “Ela tem razão. É só um filme!” Tempos depois, ao conversar com um amigo sobre cinema, mas sem lembrar este ocorrido, comentei enfaticamente: “É apenas um filme!”. E, novamente, irritei outro interlocutor. Foi preciso contemporizar para a conversa continuar.
Sou dos que adoram assistir a filmes. Em minha adolescência, em São Paulo (capital), costumava ir ao matinê, aos domingos, no cinema do bairro Sapopemba, Zona Leste. Assistia a filmes de bang-bang (Django, Trinity, etc.), western spaghetti (bang-bang a italiana), Tarzã e outros. Devo ter assistido a Dio come te amo várias vezes. Recordo que, no início da década de 1980, os amigos e companheiros do Parque São Lucas improvisavam uma tela em praça para passar filmes como “O homem que virou suco”. Era uma ação militante. Naqueles anos, aprendi a manusear o projetor 16 mm, com o qual passava filmes com conteúdo político e social em salas da Igreja e na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos em Diadema. A chegada do videocassete facilitou e ofereceu mais opções de filmes. Houve uma fase que tinha programação constante de filmes. Era proposta uma lista de filmes e assistíamos o mais votado. Depois, já como professor no ensino fundamental e médio, em Diadema e no Guacuri (Zona Sul), utilizava o recurso fílmico. Essa prática foi mantida no ensino superior.
Portanto, posso ser criticado por muitas coisas, menos pela falta de gosto pela chamada Sétima Arte. Não obstante, não sou crítico de cinema e pouco sei sobre as questões teóricas e técnicas. Vejo os filmes como meios de conscientização política e recurso pedagógico. Devido à minha formação como sociólogo e cientista político, dificilmente os filmes serão mero entretenimento. Eles contribuem para a reflexão, enriquecem o conhecimento histórico, estimulam e subsidiam temas políticos, sociais e sociológicos.
Neste ano, assisti a vários filmes relacionados ao conteúdo e temas que trabalharei com meus alunos no semestre letivo. Os filmes não substituem os livros, textos e a exposição e análise teórica e conceitual, mas colaboram para a compreensão do contexto histórico, político e social vinculados aos autores e obras que estudaremos. São, portanto, recursos didático-pedagógicos importantes. A questão é saber usá-los.
Dessa forma, devo admitir que o filme não é apenas um filme. Ainda que a minha filha assim imagine, mesmo o filme mais ingênuo passa uma mensagem ideológica e é produto das relações sociais, políticas, econômicas e culturais. São os fatores que envolvem a produção do filme, e o contexto sócio-político, que fazem dele algo muito mais significativo do que parece ser.
Em 2010, assisti cerca de 125 filmes (incluindo documentários e musicais)*; neste ano, até o momento, foram 38.** Aprendi muito, mas também vivenciei muitas emoções – como diz aquele cantor aclamado rei! Foram imagens, palavras e histórias que me fizeram refletir, rir, e, admito, até mesmo chorar. Algumas vezes, ainda que momentaneamente, até criaram a ilusão de que eram reais e me fizeram esquecer que são criações artificiais; noutras, me irritaram a ponto de me perguntar por que insistia em assistir. Mas, sobretudo, fortaleceram em mim a noção do humano demasiado humano que somos. Decididamente, o filme não é apenas um filme!
Certa feita, minha filha assistia a um filme na TV. Embora não suporto filmes dublados, por alguns instantes fiz-lhe companhia. Esqueci que ela detesta interrupções quando está diante do templo midiático e, imprudentemente, disse: “Este filme é um atentado à inteligência”. Continuei a argumentar. Ela interrompeu e, sem disfarçar a irritabilidade, sentenciou: “Pai, é apenas um filme!” Parei e pensei: “Ela tem razão. É só um filme!” Tempos depois, ao conversar com um amigo sobre cinema, mas sem lembrar este ocorrido, comentei enfaticamente: “É apenas um filme!”. E, novamente, irritei outro interlocutor. Foi preciso contemporizar para a conversa continuar.
Sou dos que adoram assistir a filmes. Em minha adolescência, em São Paulo (capital), costumava ir ao matinê, aos domingos, no cinema do bairro Sapopemba, Zona Leste. Assistia a filmes de bang-bang (Django, Trinity, etc.), western spaghetti (bang-bang a italiana), Tarzã e outros. Devo ter assistido a Dio come te amo várias vezes. Recordo que, no início da década de 1980, os amigos e companheiros do Parque São Lucas improvisavam uma tela em praça para passar filmes como “O homem que virou suco”. Era uma ação militante. Naqueles anos, aprendi a manusear o projetor 16 mm, com o qual passava filmes com conteúdo político e social em salas da Igreja e na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos em Diadema. A chegada do videocassete facilitou e ofereceu mais opções de filmes. Houve uma fase que tinha programação constante de filmes. Era proposta uma lista de filmes e assistíamos o mais votado. Depois, já como professor no ensino fundamental e médio, em Diadema e no Guacuri (Zona Sul), utilizava o recurso fílmico. Essa prática foi mantida no ensino superior.
Portanto, posso ser criticado por muitas coisas, menos pela falta de gosto pela chamada Sétima Arte. Não obstante, não sou crítico de cinema e pouco sei sobre as questões teóricas e técnicas. Vejo os filmes como meios de conscientização política e recurso pedagógico. Devido à minha formação como sociólogo e cientista político, dificilmente os filmes serão mero entretenimento. Eles contribuem para a reflexão, enriquecem o conhecimento histórico, estimulam e subsidiam temas políticos, sociais e sociológicos.
Neste ano, assisti a vários filmes relacionados ao conteúdo e temas que trabalharei com meus alunos no semestre letivo. Os filmes não substituem os livros, textos e a exposição e análise teórica e conceitual, mas colaboram para a compreensão do contexto histórico, político e social vinculados aos autores e obras que estudaremos. São, portanto, recursos didático-pedagógicos importantes. A questão é saber usá-los.
Dessa forma, devo admitir que o filme não é apenas um filme. Ainda que a minha filha assim imagine, mesmo o filme mais ingênuo passa uma mensagem ideológica e é produto das relações sociais, políticas, econômicas e culturais. São os fatores que envolvem a produção do filme, e o contexto sócio-político, que fazem dele algo muito mais significativo do que parece ser.
Em 2010, assisti cerca de 125 filmes (incluindo documentários e musicais)*; neste ano, até o momento, foram 38.** Aprendi muito, mas também vivenciei muitas emoções – como diz aquele cantor aclamado rei! Foram imagens, palavras e histórias que me fizeram refletir, rir, e, admito, até mesmo chorar. Algumas vezes, ainda que momentaneamente, até criaram a ilusão de que eram reais e me fizeram esquecer que são criações artificiais; noutras, me irritaram a ponto de me perguntar por que insistia em assistir. Mas, sobretudo, fortaleceram em mim a noção do humano demasiado humano que somos. Decididamente, o filme não é apenas um filme!
Florestan Fernandes, a Escola do MST e o jardim cercado da academia
Posted: 19/02/2011 by Revista Espaço Acadêmico in colaborador(a)
por SILVIA BEATRIZ ADOUE*
Eu quero ser o biscoito fino que um dia o povo há de comer. (Oswald de Andrade)
Quando Lula, após ter vencido o segundo turno das eleições, no discurso da avenida Paulista lembrou de tantos intelectuais que participaram da construção do PT e “esqueceu” de Florestan Fernandes, eu, postada de frente para o palco, não achei aquilo uma injustiça, mas um sinal. Após uma década de progressivo afastamento orgânico dos movimentos sociais, que começou com a medida aparentemente administrativa de dissolução dos núcleos de base, e de uma seqüência de abandonos programáticos tendentes a priorizar a atividade política eleitoral em detrimento da organização popular, o PT deixou de ser uma expressão das lutas para ser expressão daquilo que Florestan chamava de “democracia radical”. Às vezes, nem isso.
Florestan Fernandes militou dentro do PT pelo programa socialista. Em muitas oportunidades falava da sua aspiração a ser “intelectual orgânico” sob essa bandeira. A sua obra de maturidade, A revolução burguesa no Brasil (1975), atesta essa vontade. Nessa aspiração confluíam sua história familiar e sua trajetória intelectual.
Lembro que, numa das primeiras reuniões da campanha para a constituinte, e no meio de um exercício de prospectiva para o Brasil, o velho mestre disse que em cinqüenta anos ele estaria protegido pela morte. Ele estava sendo otimista demais: “[...] se o inimigo vencer, nem mesmo os mortos estarão a salvo dele. E esse inimigo ainda não parou de vencer” (BENJAMIN, 1991: p.156). Hoje, a sua memória é campo de batalha pelo “controle” do sentido da sua vida e da sua obra.
Alguém pode ficar com uma imagem instantânea do jovem Florestan defendendo a sua tese sobre os tupinambás. Esse “alguém” também poderá colocar o foco na adesão do estudante ao projeto da Missão Francesa para a formação de centros de excelência, nos seus esforços para incorporar o instrumental teórico aprendido com os seus professores ao estudo do Brasil. Muitos de nós, porém, preferimos outra perspectiva para observar a mesma cena: vemos o jovem aspirante sob o olhar agoniado da sua mãe, empregada doméstica, que pouco entendia do tema discutido. A mãe de Florestan, porém, bem percebia que a batalha que o seu filho livrava era a de um rapaz pobre para ter o seu saber reconhecido pela elite acadêmica. Adotar uma determinada perspectiva é, não nos enganemos, uma escolha de classe: a partir de qual lugar olhamos e falamos.
Não havia força suficiente para romper a cerca do jardim do conhecimento. Era preciso atravessá-la e se apropriar das flores alheias, que a elite cultivava. Florestan venceu essa batalha e fez muito mais: entre os acadêmicos foi o primeiro. Modelo de intelectual, professor de professores, cuidou das flores como ninguém. Quando o golpe militar pôs a prova os membros da academia, muitos dos acadêmicos expulsos da universidade refugiaram-se embaixo do guarda-chuvas de patrocinadores como a Fundação Ford. Florestan Fernandes podia ter se limitado a lecionar numa universidade do exterior, cuidando do jardim e replantando de um canteiro ao outro as belas flores do conhecimento sociológico. Teria sido honroso e nem um pouco covarde. Mas ele escreveu A revolução burguesa no Brasil, que fez às vezes de uma dobradiça na sua obra. A escrita desse trabalho, de alguma maneira, mudou sua vida.
Florestan não havia apenas ocupado um lugar na universidade. Não tinha apenas atravessado a cerca do jardim e se apropriado do saber dos acadêmicos, agora ele produzia um saber que fugia dos projetos dos jardineiros. Era uma prospectiva para o Brasil. Um saber fundamental para os militantes, porque problematizava com rigor e teimosia sobre as possibilidades do programa democrático e do programa socialista. Florestan já era o “intelectual orgânico” ainda que sem partido. Participou da construção do PT, pessimista da razão e otimista da vontade. Sem imaginar o PT como um destino, mas como uma possibilidade.
Nos últimos anos, era freqüente a lembrança dos seus tempos de estudante pobre, quando lia Durkheim no bonde. Também era assídua a recordação da época em que trabalhava como garçom e do seu aprendizado “de classe” com o seu colega García, espanhol e anarquista. Mas, de todos esses “flashes”, uma imagem sempre presente era a da presença da sua mãe não letrada na sua defesa de tese, muito mais do que os argumentos da banca e os seus próprios.
É esse mesmo Florestan Fernandes que o MST acolhe dando seu nome à sua Escola Nacional construída em Guararema. Foi ele o primeiro a romper a cerca que separa as grandes maiorias brasileiras do jardim do conhecimento sistematizado. A grande imprensa tem apresentado a escola dos Sem Terra com malícia e ironia. O que pode ser interpretado como mais um episódio no combate às ocupações de terra e à reforma agrária. Mas, na desqualificação à escola, há um plus de perversidade. É suficiente olhar para os números da pirâmide educativa: o lugar reservado aos pobres é junto à mesa, colhendo as migalhas que por ventura caem. Como não gritar contra o escândalo das políticas compensatórias impregnadas do cheiro acre do favor. Para a elite brasileira, a Escola Nacional do MST é um luxo. “Aliás, pergunta, de onde saiu o dinheiro?”. Pergunta nunca dirigida aos empresários privados da educação. A pergunta que os trabalhadores fazem, em troca, é: “quem levantou o prédio?”. Os nomes dos pedreiros, marceneiros, eletricistas, encanadores… costumam ficar perdidos. Na Escola de Guararema não: os nomes dos trabalhadores estão aí, eles ali estudaram, e os seus filhos, assim como os dos outros trabalhadores, poderão estudar lá.
A elite tolera os acampamentos quando eles aspiram apenas à sobrevivência das famílias, insultando-os com um olhar que pretende reduzi-los à condição de mendicante. Quando o acampamento vira assentamento, e quando o assentamento se torna produtivo, paradoxalmente, projeta sobre as famílias o medo paranóico à “barbárie” e ao “fundamentalismo”, palavras-chave usadas mais de uma vez para legitimar a violência “preventiva” contra os pobres.
Porque os Sem Terra não permanecem na condição de pobres para assim completar a paisagem tão conhecida, tão natural, da brasilidade? Porque não seguem o roteiro traçado de antemão, no cenário das casinhas de pau-a-pique, esperando que o Estado, algum dia, tenha a bem incluí-los no “contrato social” e realizar a reforma agrária que, afinal, “todos almejamos”? Ou, ainda, porque não ficam in eternum sobrevivendo junto às estradas da caridade pública sob os barracos de plástico preto para lembrar a todos que o Brasil é o país do futuro e sempre será? Porque os Sem Terra teimam em querer abandonar a pátria pobreza e constroem uma escola como a de Guararema?
Como será nessa escola a tensão entre apropriação do conhecimento e a reflexão sobre as práticas que as novas formas de conflito social vão colocando? Responder de antemão e dar a resposta como favas contadas é uma temeridade.
Antes de fazer o roçado, a horta para preparar a comida dos alunos, os Sem Terra prepararam o jardim, os caminhos bordados de flores e os canteiros, e plantaram uma muda de cada região do país, para que vingue. Do terraço do refeitório pode-se ver e ouvir uma fonte que lembra as das construções daqueles árabes da península ibérica que encorajavam o diálogo entre culturas diversas e mantiveram o tesouro das civilizações anteriores num período em que o resto de Ocidente enrijecia o seu pensamento dominado pelo “fundamentalismo”. Nessa Alahambra bem brasileira, um pouco distantes, mas não separados das lutas cotidianas, os estudantes pobres, e filhos de pobres, netos de pobres, de pobreza ancestral, cortam a cerca e não pisam nas flores. Como Florestan, querem ocupar os espaços do saber, neles resistir e também produzir novos saberes que, bem vistos, sejam pão e também o biscoito fino para todos comermos.
Referências
BENJAMIN, Walter. “Teses sobre a Filosofia da História” in: BENJAMIN, Walter. Walter Benjamin. São Paulo: Ática, 1991. Trad. Flávio R. Kothe.
FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
por SILVIA BEATRIZ ADOUE*
Eu quero ser o biscoito fino que um dia o povo há de comer. (Oswald de Andrade)
Quando Lula, após ter vencido o segundo turno das eleições, no discurso da avenida Paulista lembrou de tantos intelectuais que participaram da construção do PT e “esqueceu” de Florestan Fernandes, eu, postada de frente para o palco, não achei aquilo uma injustiça, mas um sinal. Após uma década de progressivo afastamento orgânico dos movimentos sociais, que começou com a medida aparentemente administrativa de dissolução dos núcleos de base, e de uma seqüência de abandonos programáticos tendentes a priorizar a atividade política eleitoral em detrimento da organização popular, o PT deixou de ser uma expressão das lutas para ser expressão daquilo que Florestan chamava de “democracia radical”. Às vezes, nem isso.
Florestan Fernandes militou dentro do PT pelo programa socialista. Em muitas oportunidades falava da sua aspiração a ser “intelectual orgânico” sob essa bandeira. A sua obra de maturidade, A revolução burguesa no Brasil (1975), atesta essa vontade. Nessa aspiração confluíam sua história familiar e sua trajetória intelectual.
Lembro que, numa das primeiras reuniões da campanha para a constituinte, e no meio de um exercício de prospectiva para o Brasil, o velho mestre disse que em cinqüenta anos ele estaria protegido pela morte. Ele estava sendo otimista demais: “[...] se o inimigo vencer, nem mesmo os mortos estarão a salvo dele. E esse inimigo ainda não parou de vencer” (BENJAMIN, 1991: p.156). Hoje, a sua memória é campo de batalha pelo “controle” do sentido da sua vida e da sua obra.
Alguém pode ficar com uma imagem instantânea do jovem Florestan defendendo a sua tese sobre os tupinambás. Esse “alguém” também poderá colocar o foco na adesão do estudante ao projeto da Missão Francesa para a formação de centros de excelência, nos seus esforços para incorporar o instrumental teórico aprendido com os seus professores ao estudo do Brasil. Muitos de nós, porém, preferimos outra perspectiva para observar a mesma cena: vemos o jovem aspirante sob o olhar agoniado da sua mãe, empregada doméstica, que pouco entendia do tema discutido. A mãe de Florestan, porém, bem percebia que a batalha que o seu filho livrava era a de um rapaz pobre para ter o seu saber reconhecido pela elite acadêmica. Adotar uma determinada perspectiva é, não nos enganemos, uma escolha de classe: a partir de qual lugar olhamos e falamos.
Não havia força suficiente para romper a cerca do jardim do conhecimento. Era preciso atravessá-la e se apropriar das flores alheias, que a elite cultivava. Florestan venceu essa batalha e fez muito mais: entre os acadêmicos foi o primeiro. Modelo de intelectual, professor de professores, cuidou das flores como ninguém. Quando o golpe militar pôs a prova os membros da academia, muitos dos acadêmicos expulsos da universidade refugiaram-se embaixo do guarda-chuvas de patrocinadores como a Fundação Ford. Florestan Fernandes podia ter se limitado a lecionar numa universidade do exterior, cuidando do jardim e replantando de um canteiro ao outro as belas flores do conhecimento sociológico. Teria sido honroso e nem um pouco covarde. Mas ele escreveu A revolução burguesa no Brasil, que fez às vezes de uma dobradiça na sua obra. A escrita desse trabalho, de alguma maneira, mudou sua vida.
Florestan não havia apenas ocupado um lugar na universidade. Não tinha apenas atravessado a cerca do jardim e se apropriado do saber dos acadêmicos, agora ele produzia um saber que fugia dos projetos dos jardineiros. Era uma prospectiva para o Brasil. Um saber fundamental para os militantes, porque problematizava com rigor e teimosia sobre as possibilidades do programa democrático e do programa socialista. Florestan já era o “intelectual orgânico” ainda que sem partido. Participou da construção do PT, pessimista da razão e otimista da vontade. Sem imaginar o PT como um destino, mas como uma possibilidade.
Nos últimos anos, era freqüente a lembrança dos seus tempos de estudante pobre, quando lia Durkheim no bonde. Também era assídua a recordação da época em que trabalhava como garçom e do seu aprendizado “de classe” com o seu colega García, espanhol e anarquista. Mas, de todos esses “flashes”, uma imagem sempre presente era a da presença da sua mãe não letrada na sua defesa de tese, muito mais do que os argumentos da banca e os seus próprios.
É esse mesmo Florestan Fernandes que o MST acolhe dando seu nome à sua Escola Nacional construída em Guararema. Foi ele o primeiro a romper a cerca que separa as grandes maiorias brasileiras do jardim do conhecimento sistematizado. A grande imprensa tem apresentado a escola dos Sem Terra com malícia e ironia. O que pode ser interpretado como mais um episódio no combate às ocupações de terra e à reforma agrária. Mas, na desqualificação à escola, há um plus de perversidade. É suficiente olhar para os números da pirâmide educativa: o lugar reservado aos pobres é junto à mesa, colhendo as migalhas que por ventura caem. Como não gritar contra o escândalo das políticas compensatórias impregnadas do cheiro acre do favor. Para a elite brasileira, a Escola Nacional do MST é um luxo. “Aliás, pergunta, de onde saiu o dinheiro?”. Pergunta nunca dirigida aos empresários privados da educação. A pergunta que os trabalhadores fazem, em troca, é: “quem levantou o prédio?”. Os nomes dos pedreiros, marceneiros, eletricistas, encanadores… costumam ficar perdidos. Na Escola de Guararema não: os nomes dos trabalhadores estão aí, eles ali estudaram, e os seus filhos, assim como os dos outros trabalhadores, poderão estudar lá.
A elite tolera os acampamentos quando eles aspiram apenas à sobrevivência das famílias, insultando-os com um olhar que pretende reduzi-los à condição de mendicante. Quando o acampamento vira assentamento, e quando o assentamento se torna produtivo, paradoxalmente, projeta sobre as famílias o medo paranóico à “barbárie” e ao “fundamentalismo”, palavras-chave usadas mais de uma vez para legitimar a violência “preventiva” contra os pobres.
Porque os Sem Terra não permanecem na condição de pobres para assim completar a paisagem tão conhecida, tão natural, da brasilidade? Porque não seguem o roteiro traçado de antemão, no cenário das casinhas de pau-a-pique, esperando que o Estado, algum dia, tenha a bem incluí-los no “contrato social” e realizar a reforma agrária que, afinal, “todos almejamos”? Ou, ainda, porque não ficam in eternum sobrevivendo junto às estradas da caridade pública sob os barracos de plástico preto para lembrar a todos que o Brasil é o país do futuro e sempre será? Porque os Sem Terra teimam em querer abandonar a pátria pobreza e constroem uma escola como a de Guararema?
Como será nessa escola a tensão entre apropriação do conhecimento e a reflexão sobre as práticas que as novas formas de conflito social vão colocando? Responder de antemão e dar a resposta como favas contadas é uma temeridade.
Antes de fazer o roçado, a horta para preparar a comida dos alunos, os Sem Terra prepararam o jardim, os caminhos bordados de flores e os canteiros, e plantaram uma muda de cada região do país, para que vingue. Do terraço do refeitório pode-se ver e ouvir uma fonte que lembra as das construções daqueles árabes da península ibérica que encorajavam o diálogo entre culturas diversas e mantiveram o tesouro das civilizações anteriores num período em que o resto de Ocidente enrijecia o seu pensamento dominado pelo “fundamentalismo”. Nessa Alahambra bem brasileira, um pouco distantes, mas não separados das lutas cotidianas, os estudantes pobres, e filhos de pobres, netos de pobres, de pobreza ancestral, cortam a cerca e não pisam nas flores. Como Florestan, querem ocupar os espaços do saber, neles resistir e também produzir novos saberes que, bem vistos, sejam pão e também o biscoito fino para todos comermos.
Referências
BENJAMIN, Walter. “Teses sobre a Filosofia da História” in: BENJAMIN, Walter. Walter Benjamin. São Paulo: Ática, 1991. Trad. Flávio R. Kothe.
FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
Para que serve a literatura
Posted: 16/01/2010 by Revista Espaço Acadêmico in autor
12 por Walter Praxedes*
Conta-se que no final da Segunda Guerra Mundial, quando chegaram num campo de concentração que contava com inúmeros prisioneiros inocentes, os soldados de uma das divisões das tropas aliadas surpreenderam alguns dos seus inimigos nazistas sentados e calmamente lendo uma das obras mais importantes e humanistas da literatura universal: nada menos do que Fausto, de Goethe.
A leitura daquele livro não tornava seus leitores menos culpados pelo horror que estava sendo cometido por eles próprios. Também não impedia que cada um daqueles soldados literatos cumprissem com suas atribuições de prender, torturar e matar seus semelhantes como nenhum outro animal além do humano é capaz de fazer.
Nada mais desconfortante para os defensores da literatura como forma de humanização do que a idéia de que o homem pode combinar a satisfação estética sentida após a leitura de uma peça de Shakespeare com uma prática anti-humana, perversa e cruel.
Apesar disso, como nos ensina o crítico literário Antônio Cândido, a literatura contribui para que se confirmem em cada um de nós “…aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor”.
A literatura serve, por certo, para dar prazer e satisfação para todos, mas só os bons levam a sério suas mensagens humanistas: os demais permanecem indiferentes. Bons livros não convencem uma pessoa má a melhorar. Pode-se supor que alguém que tenha sido pago para assassinar, na sua infância tenha sido um leitor entusiasmado de Monteiro Lobato.
As mensagens humanistas dos livros só atingem as pessoas predispostas para a sua recepção. É provável que os romancistas estejam condenados a “pregar aos convertidos”, a convencer aos convencidos, como tinha o costume de escrever o sociólogo Pierre Bourdieu.
Mesmo assim, um pioneiro investigador dos segredos humanos como Freud não dispensava os conhecimentos propiciados pela literatura. Para o fundador da psicanálise “…os poetas e romancistas são aliados preciosos, e seu testemunho deve ser tido em alta estima pois eles conhecem, entre o céu e a terra, muitas coisas com as quais nossa sabedoria escolar não poderia sequer sonhar. Eles são para nós, que não passamos de homens vulgares, mestres no conhecimento da alma, pois se banham em fontes que ainda não se tornaram acessíveis à ciência.”
Com tudo isso, não deixo de pensar que após a leitura de um livro como Levantado do Chão, de Saramago, que descreve o sofrimento e a luta dos trabalhadores rurais portugueses, nenhum dirigente do Fundo Monetário Internacional deixará de impor aos países devedores as medidas econômicas que levam a fome e o sofrimento para milhões de pessoas em todo o mundo.
Talvez a literatura sirva mesmo é para convencer os convencidos a permanecerem contra todas as formas de opressão do humano. Se servem para tanto, isso já é um grande bem, pois, embora aqueles que não praticam o bem continuem difundindo o mal, não conseguirão jamais impor a idéia de que ser humano é ser apenas como são.
--------------------------------------------------------------------------------
* Doutor em Educação pela USP e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá. Publicado na REA nº 15, agosto de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/015/15wlap.htm
12 por Walter Praxedes*
Conta-se que no final da Segunda Guerra Mundial, quando chegaram num campo de concentração que contava com inúmeros prisioneiros inocentes, os soldados de uma das divisões das tropas aliadas surpreenderam alguns dos seus inimigos nazistas sentados e calmamente lendo uma das obras mais importantes e humanistas da literatura universal: nada menos do que Fausto, de Goethe.
A leitura daquele livro não tornava seus leitores menos culpados pelo horror que estava sendo cometido por eles próprios. Também não impedia que cada um daqueles soldados literatos cumprissem com suas atribuições de prender, torturar e matar seus semelhantes como nenhum outro animal além do humano é capaz de fazer.
Nada mais desconfortante para os defensores da literatura como forma de humanização do que a idéia de que o homem pode combinar a satisfação estética sentida após a leitura de uma peça de Shakespeare com uma prática anti-humana, perversa e cruel.
Apesar disso, como nos ensina o crítico literário Antônio Cândido, a literatura contribui para que se confirmem em cada um de nós “…aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor”.
A literatura serve, por certo, para dar prazer e satisfação para todos, mas só os bons levam a sério suas mensagens humanistas: os demais permanecem indiferentes. Bons livros não convencem uma pessoa má a melhorar. Pode-se supor que alguém que tenha sido pago para assassinar, na sua infância tenha sido um leitor entusiasmado de Monteiro Lobato.
As mensagens humanistas dos livros só atingem as pessoas predispostas para a sua recepção. É provável que os romancistas estejam condenados a “pregar aos convertidos”, a convencer aos convencidos, como tinha o costume de escrever o sociólogo Pierre Bourdieu.
Mesmo assim, um pioneiro investigador dos segredos humanos como Freud não dispensava os conhecimentos propiciados pela literatura. Para o fundador da psicanálise “…os poetas e romancistas são aliados preciosos, e seu testemunho deve ser tido em alta estima pois eles conhecem, entre o céu e a terra, muitas coisas com as quais nossa sabedoria escolar não poderia sequer sonhar. Eles são para nós, que não passamos de homens vulgares, mestres no conhecimento da alma, pois se banham em fontes que ainda não se tornaram acessíveis à ciência.”
Com tudo isso, não deixo de pensar que após a leitura de um livro como Levantado do Chão, de Saramago, que descreve o sofrimento e a luta dos trabalhadores rurais portugueses, nenhum dirigente do Fundo Monetário Internacional deixará de impor aos países devedores as medidas econômicas que levam a fome e o sofrimento para milhões de pessoas em todo o mundo.
Talvez a literatura sirva mesmo é para convencer os convencidos a permanecerem contra todas as formas de opressão do humano. Se servem para tanto, isso já é um grande bem, pois, embora aqueles que não praticam o bem continuem difundindo o mal, não conseguirão jamais impor a idéia de que ser humano é ser apenas como são.
--------------------------------------------------------------------------------
* Doutor em Educação pela USP e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá. Publicado na REA nº 15, agosto de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/015/15wlap.htm
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Dilma anuncia combate ao crack em várias frentes
17 de fevereiro de 2011 às 21:33
do blog do Planalto
A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira (17) a implantação de 49 Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas (CRR) em universidades federais das cinco regiões brasileiras. Em solenidade no Palácio do Planalto, a presidenta reafirmou o compromisso de seu governo na luta contínua do combate às drogas, especialmente o crack, “para que um país como o nosso não tenha sua juventude vulnerabilizada”.
Os centros serão responsáveis por capacitar, nos próximos 12 meses, 14,7 mil profissionais como médicos, psicólogos , enfermeiros, assistentes sociais e agentes comunitários. Segundo a presidenta Dilma, o combate de “um problema da proporção do crack” requer profissionais altamente capacitados para tratamento do usuário e apoio às famílias, daí a importância do projeto que será, segundo ela, “uma das armas mais fortes de combate e prevenção às drogas”.
“Eu estava aqui, há pouco, comentando com o ministro Fernando Haddad a importância cada vez maior que a universidade federal, a universidade estadual, a universidade municipal adquirem na sociedade brasileira. A valorização que, no governo do presidente Lula, foi dada às universidades federais, eu acho que contribui também para essa devolução que eu acho que os senhores podem fazer com [para] a sociedade brasileira”, disse.
Em seu discurso, a presidenta frisou a importância do envolvimento multissetorial no combate às drogas e criminalidade e lembrou que “a valorização dos professores e professoras do nosso país” é imprescindível nesse processo e uma meta de seu governo. Além disso, ressaltou a presidenta, é necessário envolver instituições como a Política Federal para o combate ao crime organizado, tráfico de drogas e fortalecimento das fronteiras.
“Junto com a Polícia Federal nas áreas de fronteira, com o próprio Exército, com as Forças Armadas, o saber talvez seja uma das condições privilegiadas através das quais nós podemos decifrar as drogas (…). E, acho que é fundamental a gente perceber que tudo isso também passa por um processo de combate ao crime organizado, através do controle de fronteiras, da… eu diria, o reforço ainda maior da Polícia Federal no combate à criminalidade e às drogas”, disse.
Participaram ainda da abertura do seminário – que reúne 49 reitores das universidades selecionadas – os ministros Alexandre Padilha (Saúde), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Fernando Haddad (Educação), a secretária nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), Paulina do Carmo, e o presidente da Andifes, Edward Madureira.
“O crack é mais que uma droga, é quase um veneno. Começa com uma brincadeira e termina com a morte”, alertou o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Após a cerimônia, a secretária nacional de Políticas Sobre Drogas concedeu entrevista coletiva e assinalou que, no próximo mês, o governo federal lançará o maior estudo do mundo sobre o crack, que envolveu 22 mil pessoas de diversos estados brasileiros. A partir da amostragem, a pesquisa traçará o mapa do consumo de crack no país e servirá como embasamento para diversas políticas públicas para enfrentamento da droga.
Centros de referência — Cada projeto (quatro cursos) terá até R$ 300 mil do Fundo Nacional Antidrogas (Funad) para capacitação de 300 profissionais. Ao final de 12 meses, serão formados 14,7 mil profissionais, em 844 municípios de 19 estados do país. Os cursos vão abordar o gerenciamento de casos, a reinserção social e o aconselhamento motivacional, bem como o aperfeiçoamento de médicos atuantes no Programa de Saúde em Família, no Núcleo de Assistência à Saúde da Família e profissionais do SUS e do Sistema Único de Assistência Social.
A iniciativa faz parte do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, lançado no ano passado pelo governo federal. O Plano prevê, também, a ampliação do número de leitos de internação de usuários, a ampliação do número de Centros de Referência de Assistência Social e dos Centros de Referência Especializada de Assistência Social, a realização de estudos e pesquisas, a ampliação do horário de atendimento do VivaVoz, a criação de centros de pesquisa e novas metodologias de tratamento e reinserção social, e medidas de enfrentamento ao tráfico.
do blog do Planalto
A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira (17) a implantação de 49 Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas (CRR) em universidades federais das cinco regiões brasileiras. Em solenidade no Palácio do Planalto, a presidenta reafirmou o compromisso de seu governo na luta contínua do combate às drogas, especialmente o crack, “para que um país como o nosso não tenha sua juventude vulnerabilizada”.
Os centros serão responsáveis por capacitar, nos próximos 12 meses, 14,7 mil profissionais como médicos, psicólogos , enfermeiros, assistentes sociais e agentes comunitários. Segundo a presidenta Dilma, o combate de “um problema da proporção do crack” requer profissionais altamente capacitados para tratamento do usuário e apoio às famílias, daí a importância do projeto que será, segundo ela, “uma das armas mais fortes de combate e prevenção às drogas”.
“Eu estava aqui, há pouco, comentando com o ministro Fernando Haddad a importância cada vez maior que a universidade federal, a universidade estadual, a universidade municipal adquirem na sociedade brasileira. A valorização que, no governo do presidente Lula, foi dada às universidades federais, eu acho que contribui também para essa devolução que eu acho que os senhores podem fazer com [para] a sociedade brasileira”, disse.
Em seu discurso, a presidenta frisou a importância do envolvimento multissetorial no combate às drogas e criminalidade e lembrou que “a valorização dos professores e professoras do nosso país” é imprescindível nesse processo e uma meta de seu governo. Além disso, ressaltou a presidenta, é necessário envolver instituições como a Política Federal para o combate ao crime organizado, tráfico de drogas e fortalecimento das fronteiras.
“Junto com a Polícia Federal nas áreas de fronteira, com o próprio Exército, com as Forças Armadas, o saber talvez seja uma das condições privilegiadas através das quais nós podemos decifrar as drogas (…). E, acho que é fundamental a gente perceber que tudo isso também passa por um processo de combate ao crime organizado, através do controle de fronteiras, da… eu diria, o reforço ainda maior da Polícia Federal no combate à criminalidade e às drogas”, disse.
Participaram ainda da abertura do seminário – que reúne 49 reitores das universidades selecionadas – os ministros Alexandre Padilha (Saúde), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Fernando Haddad (Educação), a secretária nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), Paulina do Carmo, e o presidente da Andifes, Edward Madureira.
“O crack é mais que uma droga, é quase um veneno. Começa com uma brincadeira e termina com a morte”, alertou o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Após a cerimônia, a secretária nacional de Políticas Sobre Drogas concedeu entrevista coletiva e assinalou que, no próximo mês, o governo federal lançará o maior estudo do mundo sobre o crack, que envolveu 22 mil pessoas de diversos estados brasileiros. A partir da amostragem, a pesquisa traçará o mapa do consumo de crack no país e servirá como embasamento para diversas políticas públicas para enfrentamento da droga.
Centros de referência — Cada projeto (quatro cursos) terá até R$ 300 mil do Fundo Nacional Antidrogas (Funad) para capacitação de 300 profissionais. Ao final de 12 meses, serão formados 14,7 mil profissionais, em 844 municípios de 19 estados do país. Os cursos vão abordar o gerenciamento de casos, a reinserção social e o aconselhamento motivacional, bem como o aperfeiçoamento de médicos atuantes no Programa de Saúde em Família, no Núcleo de Assistência à Saúde da Família e profissionais do SUS e do Sistema Único de Assistência Social.
A iniciativa faz parte do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, lançado no ano passado pelo governo federal. O Plano prevê, também, a ampliação do número de leitos de internação de usuários, a ampliação do número de Centros de Referência de Assistência Social e dos Centros de Referência Especializada de Assistência Social, a realização de estudos e pesquisas, a ampliação do horário de atendimento do VivaVoz, a criação de centros de pesquisa e novas metodologias de tratamento e reinserção social, e medidas de enfrentamento ao tráfico.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
DIET NÃO DÁ REFRESCO
10/2/2011
Agência FAPESP – Trocar o refrigerante por uma versão diet pode ajudar no controle do peso, mas não vai refrescar a saúde cardiovascular. Segundo uma nova pesquisa, quem consome refrigerante com frequência, mesmo que diet, tem risco muito maior de desenvolver problemas cardiovasculares do que aqueles que não ingerem a bebida.
O estudo apresentado na quarta-feira (9/2) na International Stroke Conference 2011, em Los Angeles, Estados Unidos, foi feito com 2.564 pessoas com mais de 40 anos, de diferentes etnias, em Nova York, acompanhadas por uma média de 9,3 anos.
Os resultados mostraram que aqueles que consumiram refrigerante diet diariamente tiveram risco 61% maior de desenvolver problemas cardiovasculares do que os que não beberam refrigerante com a mesma frequência.
O motivo é o sal presente em tais bebidas, seja na versão com açúcar ou com adoçante. O consumo elevado de sal, além de poder causar hipertensão, mostrou-se relacionado com um grande aumento no risco de manifestar acidentes vasculares cerebrais (AVC) isquêmicos, que interrompem o fluxo de sangue para o cérebro.
O estudo verificou que os participantes que consumiram mais de 4 gramas de sódio por dia apresentaram risco duas vezes maior de desenvolver AVC do que aqueles que ingeriram menos de 1,5 grama por dia.
“Se os resultados forem confirmados em estudos futuros, poderemos dizer que os refrigerantes diet podem não ser os substitutos ideais para as bebidas açucaradas, com relação à proteção contra eventos vasculares”, disse Hannah Gardener, da Universidade de Miami, líder da pesquisa.
Dos participantes, apenas um terço se mostrou no limite recomendado pelas U.S. Dietary Guidelines de consumir até 2,3 gramas de sódio por dia, o equivalente a uma colher de chá de sal. A recomendação da American Heart Association é de um consumo diário de até 1,5 grama de sódio e a média do estudo ficou em 3 gramas.
“A ingestão elevada de sódio é um fator de risco para AVC isquêmico em pessoas com hipertensão ou não, o que destaca a importância de limitar o consumo de alimentos com muito sal”, disse Hannah.
A cientista destaca que nos resultados do estudo devem ser levados em consideração os poucos dados sobre tipos de bebidas consumidas, e que a variação entre marcas ou no uso de adoçantes pelas mesmas pode ter influído nos resultados.
Agência FAPESP – Trocar o refrigerante por uma versão diet pode ajudar no controle do peso, mas não vai refrescar a saúde cardiovascular. Segundo uma nova pesquisa, quem consome refrigerante com frequência, mesmo que diet, tem risco muito maior de desenvolver problemas cardiovasculares do que aqueles que não ingerem a bebida.
O estudo apresentado na quarta-feira (9/2) na International Stroke Conference 2011, em Los Angeles, Estados Unidos, foi feito com 2.564 pessoas com mais de 40 anos, de diferentes etnias, em Nova York, acompanhadas por uma média de 9,3 anos.
Os resultados mostraram que aqueles que consumiram refrigerante diet diariamente tiveram risco 61% maior de desenvolver problemas cardiovasculares do que os que não beberam refrigerante com a mesma frequência.
O motivo é o sal presente em tais bebidas, seja na versão com açúcar ou com adoçante. O consumo elevado de sal, além de poder causar hipertensão, mostrou-se relacionado com um grande aumento no risco de manifestar acidentes vasculares cerebrais (AVC) isquêmicos, que interrompem o fluxo de sangue para o cérebro.
O estudo verificou que os participantes que consumiram mais de 4 gramas de sódio por dia apresentaram risco duas vezes maior de desenvolver AVC do que aqueles que ingeriram menos de 1,5 grama por dia.
“Se os resultados forem confirmados em estudos futuros, poderemos dizer que os refrigerantes diet podem não ser os substitutos ideais para as bebidas açucaradas, com relação à proteção contra eventos vasculares”, disse Hannah Gardener, da Universidade de Miami, líder da pesquisa.
Dos participantes, apenas um terço se mostrou no limite recomendado pelas U.S. Dietary Guidelines de consumir até 2,3 gramas de sódio por dia, o equivalente a uma colher de chá de sal. A recomendação da American Heart Association é de um consumo diário de até 1,5 grama de sódio e a média do estudo ficou em 3 gramas.
“A ingestão elevada de sódio é um fator de risco para AVC isquêmico em pessoas com hipertensão ou não, o que destaca a importância de limitar o consumo de alimentos com muito sal”, disse Hannah.
A cientista destaca que nos resultados do estudo devem ser levados em consideração os poucos dados sobre tipos de bebidas consumidas, e que a variação entre marcas ou no uso de adoçantes pelas mesmas pode ter influído nos resultados.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
BIG BROTHER BRASIL
BIG BROTHER BRASIL
Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2011.
Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2011.
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