terça-feira, 17 de maio de 2011

A SEGURANÇA PÚBLICA DEPENDE DE TODOS

Esta foi a conclusão do debate realizado ontem (16/05/11) na Câmara Municipal de Ubatuba. E para que se fortaleça a relação de confiança entre as pessoas e as instituições, garantindo a complementariedade das ações, foi sugerido que as reuniões ganhem continuidade através do CONSEG que sempre é coordenado por um membro da sociedade civil e que tem o poder de convocar. E que, na próxima reunião, além das autoridades presentes, sejam convidados o Capitão Alexandre, da PM, o Conselho Tutelar, o Secretário de Assistência Social e o Secretário de Educação.

Essa questão foi colocada por Marcos Velloso, um dos diretores da ACIU – Associação Comercial de Ubatuba – e surgiu devido à ausência do Capitão Alexandre e ao fato do presidente do CONSEG não ter sido convidado.

O Prof. Rui, que coordenava a mesa esclareceu que há um limite de tempo e de número de palestrantes para garantir a fala de cada um. Também informou que o Capitão Alexandre manifestou sua dificuldade em participar mas que mandaria um representante. O Presidente do CONSEG não foi convidado porque não o conhecia devido à deficiência de comunicação das reuniões desse órgão.

Ao abrir a reunião, o Prof. Rui esclareceu que o debate faz parte de uma série organizada pelo Movimento Ubatuba em Rede para debater políticas públicas e que o tema estava num momento propício devido ao fato da Prefeitura ter estabelecido uma parceria com a Fundação Telefônica para a formação dos membros do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA –, do Conselho Tutelar e instituições que fazem parte do SGDCA – Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (Secretarias de Assistência Social, de Saúde, de Educação, de Esportes e Turismo, de Justiça etc.).

Depois de ter proporcionado um curso de formação, o próximo passo é a elaboração de um diagnóstico da situação de proteção à criança e do adolescente para dar suporte à formatação de políticas públicas que prevejam ações e recursos para a prevenção de danos e agressões. Para isso, é necessário que os demais conselhos estejam organizados e funcionando efetivamente.

Para ilustrar essas ações passou a palavra ao Sr. Marcelo Annunziato, policial da Polícia Rodoviária Federal, que abordou o Programa Na Mão Certa. Este Programa é uma parceria com a Childhood Brasil, o braço direito da World Childhood Foundation, organização criada pela S. M. Rainha Silvia da Suécia, com o objetivo de mobilizar governos, empresas e organizações do terceiro setor em torno do enfrentamento mais eficaz da exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras, pois em 2007, a PRF identificou 1.819 pontos de risco de exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais brasileiras.

O policial destacou que a sociedade brasileira de onde se origina os membros da polícia é corrupta; então, dentro da própria polícia, os bons policiais sofrem pressão dos policiais corruptos que tentam impedir o trabalho dos bons policiais. Somente com a união da população que sofre e convive com essas arbitrariedades é que a polícia vai fazer o que é sua obrigação: defender a população e reprimir aqueles que a ameaçam. Para isso existe o disque denúncia, que além de sigiloso, alerta as instâncias superiores sobre desvios de conduta de policiais corruptos e pontos de maior concentração de atos criminosos.

O Sr. Rafael Riccardi Irineu, secretário municipal de Segurança Pública afirmou que tem procurado trabalhar em parceria com a Polícia Militar, com a Polícia Civil e com a Rodoviária Federal e que dessa parceria deve resultar uma polícia de base comunitária nos moldes da que está sendo implantada no Rio de Janeiro. Para isso estão sendo feitas várias reuniões em diferentes bairros.

O Dr. Thiago Penha, presidente da OAB destacou a absoluta falta de recursos da Polícia Civil, o que dificulta um melhor desempenho no sentido de elucidar os crimes e atuar preventivamente. A OAB também se colocou como uma ouvidoria no sentido de proteger os direitos da população, encaminhando essas demandas às instâncias superiores.

O Dr. André Costilhas, da Polícia Civil, disse que é a segunda vez que atua em Ubatuba, e tem feito um combate contra as quadrilhas que têm feito uma série de assaltos na região e contra as bocas de tráfico. Em uma das ações foram presas mais de vinte pessoas que desenvolviam tráfico de grandes quantidades de cocaína.

Como os demais, também reforçou a idéia de parceria com a população para o sucesso das ações.

Quando a palavra foi aberta para os presentes foi intensa a participação e se concentraram nos seguintes focos: a falta de segurança nos arredores da pista de skate, a desarticulação entre as várias polícias, a sensação da população de não poder contar com essa proteção, da demora ou ineficiência do atendimento e a completa desarticulação dos conselhos municipais.

O encontro quase foi suspenso devido à falta de energia elétrica no prédio novo da Câmara Municipal devido a um estouro do transformador na rua. Graças ao policial Marcelo, depois de vários contatos infrutíferos, conseguiu falar com o Secretário Municipal de Segurança, que prontamente ofereceu o auditório da Câmara velha, inclusive para os próximos encontros. Também fez várias sugestões, as quais foram prontamente acatadas pelos presentes.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

O QUE A PREFEITURA TEM A VER COM O SGDCA ?

SGDCA é o Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente. De acordo com a Wikipédia “Um sistema (do grego sietemiun), é um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado”.
Todo sistema possui um objetivo geral a ser atingido. O sistema é um conjunto de órgãos funcionais, componentes, entidades, partes ou elementos e as relações entre eles, a integração entre esses componentes pode se dar por fluxo de informações, fluxo de matéria, fluxo de sangue, fluxo de energia, enfim, ocorre comunicação entre os órgãos componentes de um sistema.
A boa integração dos elementos componentes do sistema é chamada sinergia, determinando que as transformações ocorridas em uma das partes influenciará todas as outras. A alta sinergia de um sistema faz com que seja possível a este cumprir sua finalidade e atingir seu objetivo geral com eficiência.
O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – determina em seu artigo 4º : “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”
O objetivo do SGDCA é garantir que esses direitos sejam efetivados.
Para fiscalizar e garantir esses direitos, o ECA criou os Conselhos Tutelares e, para formular as políticas de atendimento a esses direitos, no âmbito dos municípios, foram criados os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente com caráter deliberativo e controlador das ações. Os conselheiros tutelares são eleitos pela comunidade. O CMDCA tem composição paritária, sendo seis da sociedade civil através de suas instituições representativas e seis indicados pelo Prefeito.
Mas é evidente que a proposta do ECA está muito longe de sua concretização. O Conselho Tutelar tem sido visto por muitos como uma ponte para a carreira política e uma fonte de renda. Para evitar o seu grande poder fiscalizador, muitos governantes procuram colocar pessoas de sua confiança e que não vão exigir o cumprimento dos direitos que dependem da atuação dos órgãos públicos. Assim, não cumprem a função para o qual foram eleitos.
Cabe uma questão: a situação dos conselheiros tutelares e dos vereadores envolvidos nas eleições ainda não está resolvida devido à demora da justiça mas qual seria a razão de vereadores tentarem influenciar as eleições dos conselheiros, correndo o risco de, com essa atitude, perderem seus mandatos ?
Outro problema é que os CMDCAs ainda não assumiram o seu papel de formulador de políticas públicas, atuando como mero redistribuidor das verbas do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente, cumprindo ritos burocráticos de registro das entidades.
Apesar desses problemas, o Projeto Ação Proteção aponta como pontos positivos a existência e a instalação desses conselhos em quase todos os municípios do Brasil, o que permite a participação dos moradores na formulação de propostas mais adequadas à realidade local, pois devido à grande diversidade de um país como o Brasil, o conhecimento da realidade local é um fator importante para a implantação de soluções mais adequadas.
Outro ponto é que esses dois conselhos tem que agir e recorrer a outras instituições (Poder Judiciário, Policia Militar e Civil, Secretarias de Educação, da Saúde, da Assistência Social, de Cultura e Esportes) para garantir a efetivação dos direitos.
No entanto, a completa desarticulação interna desses conselhos e entre as entidades e instituições faz com que não haja um sistema pois não existe sinergia entre eles.
Para sanar esses problemas, a Telefônica, está colocando seus serviços para que a tecnologia das informações auxilie o fortalecimento das entidades através da coleta e sistematização de dados, do conhecimento do próprio papel e de sua função e do estabelecimento de fluxos de informação.
Essa ação é considerada tão importante que a Telefônica realizou o Seminário Redes e Sustentabilidade nos dias 4 e 5 de maio em São Paulo, contando com o apoio e parceria de várias prestadoras de serviços, instituições de pesquisa e as maiores empresas, tais como: Vale, Camargo Correa, Unibanco, Itaú e Votorantim.
As inscrições eram abertas e rapidamente as vagas se esgotaram. O mais estranho é que, mesmo tendo assinado um termo de parceria e cooperação com a Telefônica, a Prefeitura não garantiu a participação de qualquer um dos inscritos. E uma das oficinas do seminário seria exatamente sobre a elaboração de um diagnóstico que os participantes do Projeto Ação e Proteção de Ubatuba deverão realizar para o estabelecimento de uma política municipal de proteção integral das crianças e adolescentes.


Rui Grilo – ragrilo@terra.com.br

sábado, 30 de abril de 2011

AS ABELHAS SUMIRAM

Primeiro, as abelhas começaram a desaparecer nos Estados Unidos, depois no Canadá e, então, no Brasil. “Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma épóca do ano”, explica o professor Afonso Inácio Orth, um dos principais especialistas em abelhas do país e que tem acompanhado os estudos que buscam respostas para o desaparecimento dos insetos desde que este problema foi detectado.

“O primeiro grande risco é a fragilização da produção mundial de alimentos, principalmente pelo fato de nós dependermos quase que exclusivamente das abelhas. Além disso, um risco secundário, mas não menos importante, é o de afetarmos toda a ecologia local, porque essas abelhas também acabam polinizando as plantas nativas e, a partir do momento em que você elimina os polinizadores, essas plantas nativas deixarão de se reproduzir e, com isto, nós poderemos estar alterando profundamente os ecossistemas”

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Primeiro, as abelhas começaram a desaparecer nos Estados Unidos, depois no Canadá e, então, no Brasil. “Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma épóca do ano”, explica o professor Afonso Inácio Orth, um dos principais especialistas em abelhas do país e que tem acompanhado os estudos que buscam respostas para o desaparecimento dos insetos desde que este problema foi detectado.

“O primeiro grande risco é a fragilização da produção mundial de alimentos, principalmente pelo fato de nós dependermos quase que exclusivamente das abelhas. Além disso, um risco secundário, mas não menos importante, é o de afetarmos toda a ecologia local, porque essas abelhas também acabam polinizando as plantas nativas e, a partir do momento em que você elimina os polinizadores, essas plantas nativas deixarão de se reproduzir e, com isto, nós poderemos estar alterando profundamente os ecossistemas”

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Primeiro, as abelhas começaram a desaparecer nos Estados Unidos, depois no Canadá e, então, no Brasil. “Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma épóca do ano”, explica o professor Afonso Inácio Orth, um dos principais especialistas em abelhas do país e que tem acompanhado os estudos que buscam respostas para o desaparecimento dos insetos desde que este problema foi detectado.

“O primeiro grande risco é a fragilização da produção mundial de alimentos, principalmente pelo fato de nós dependermos quase que exclusivamente das abelhas. Além disso, um risco secundário, mas não menos importante, é o de afetarmos toda a ecologia local, porque essas abelhas também acabam polinizando as plantas nativas e, a partir do momento em que você elimina os polinizadores, essas plantas nativas deixarão de se reproduzir e, com isto, nós poderemos estar alterando profundamente os ecossistemas”,

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terça-feira, 19 de abril de 2011

O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA, AO ABUSO E À EXPLORAÇÃO SEXUAL

Nesta segunda (18/04), na Câmara Municipal, a série Encontros com a Comunidade teve como tema o Enfrentamento à Violência, ao Abuso e à Exploração Sexual.

No início, o professor Rui, representando o Movimento Ubatuba em Rede expôs aos presentes a razão e a oportunidade do tema.

Recentemente Ubatuba foi sacudida com a morte de uma adolescente por overdose e que estava em companhia de três homens adultos. Em seguida, na Caçandoca, mais uma estudante foi morta, exibindo sinais de violência e de estupro. Na edição de 18/04, o jornal Imprensa Livre divulgou as estatísticas de violência no Litoral Norte no último trimestre em que aponta a ocorrência de 44 estupros, sendo 19 em Ubatuba.

O fato positivo é que no dia 05/04, a Fundação Telefônica esteve em Ubatuba para celebrar um convênio de parceria com a Prefeitura Municipal para dar continuidade ao Projeto Ação Proteção. Na primeira fase, está havendo um curso de formação destinado aos conselheiros tutelares, aos membros do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e que se iniciou com aulas presenciais e depois à distância através da internet. Nesta fase que se inicia, a proposta é a divulgação, a construção de um diagnóstico da situação de violência e a construção de uma rede de prevenção e atendimento no município. Durante o curso, a questão da violência, do abuso e da exploração sexual foi um dos temas mais enfocados. Daí a necessidade de aprofundarmos o tema e trocar experiências com aqueles que já avançaram um pouco mais.

Outro fato positivo é que o Sr. Delegado André Costilhas, que já atuou em Ubatuba, está retornando para cá e se colocou à disposição para ajudar na constituição do Comitê aqui. Foi encaminhado para representar o Sr. Delegado Seccional Múcio Alvarenga, presidente do Comitê de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Litoral Norte. O Comitê faz parte do Programa Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas - PEPETP, ligado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, em alinhamento à Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas estabelecida no plano nacional pelo Decreto Federal nº 5.948, de 26 de outubro de 2006. Estas ações representam a participação do Brasil como signatário da Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional e do Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Seres Humanos, em Especial Mulheres e Crianças.
Ressaltou que o trabalho da polícia é como enxugar gelo, ou seja, não terá sucesso sem um trabalho preventivo que envolva todos os setores da sociedade. O Dr. André foi bastante sucinto porque considerou que a Dra. Elisabeth Chagas e a assistente social Sandra AP. Lourenço, teriam mais informações pelo maior tempo de participação no Comitê.

Elisabeth dos Santos Chagas , advogada e presidente do Conselho da Condição Feminina de São Sebastião e da Associação de Amparo à Mulher Sebastianense – AAMS -, começou seu trabalho com as prostitutas da zona, com apoio da Igreja Católica. Foi orientada a formalizar seu trabalho com a criação de uma instituição. Assim, surgiu a AAMS. Recentemente recebeu uma casa da Prefeitura e, por avaliar que não teria condições para manter uma casa abrigo, optou por instalar um centro de referência sobre a violência contra a mulher. O número de casos é tão grande que estabeleceu como prioridade a divulgação da Lei Maria da Penha. Atende apenas a mulheres adultas porque acha que é preciso limitar o público a ser atendido para conseguir fazer melhor. O atendimento à adolescentes envolve um maior aparato de técnicos e recursos.

Participa do Comitê, o qual teve como uma das organizadoras a jornalista Priscila Siqueira, reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho contra o tráfico de seres humanos, e que tem continuidade pelo empenho e incentivo do Sr. Delegado Secional Múcio Alvarenga.
Ela lamentou o fato de, apesar de ser um comitê regional e ser rotativo entre os quatro municípios, não ter a participação freqüente de Ubatuba, que é rota de passagem para o Rio. Espera, de agora em diante, poder contar com essa participação.

A Sra. Sandra Lourenço, também participa da AAMS e do Comitê Regional, representando o COMVIV – Comitê Municipal de Vigilância contra a Violência, sendo o órgão responsável pela notificação da violência não só contra a mulher, mas também contra outros grupos discriminados: idosos, crianças, lgbt, negros. Para ela, a notificação é muito importante porque permite coletar dados, através dos quais se pode encaminhar soluções.

Zenaide Brito, advogada, coordenadora do curso de Promotoras Legais Populares de Taubaté e diretora da ong Elas por Elas Vozes e Ações das Mulheres, ressaltou que o tráfico de seres humanos é a terceira maior fonte de renda das quadrilhas organizadas internacionalmente, sendo o Brasil o maior exportador de crianças e mulheres para prostituição nas Américas e servir como país de trânsito para as aliciadas nas nações latino-americanas e caminho para a Europa, Ásia e Estados Unidos. Para ela, é muito difícil lutar contra esses grupos devido ao fato de estarem organizados internacionalmente, terem alto poder aquisitivo e boa aparência, e explorarem a miséria e o desejo de consumo, principalmente de adolescentes. Para a prevenção é necessário ficarmos antenados e termos um diálogo franco e aberto com filhos, alunos, parentes e amigos. A escola precisa estar aberta para incluir essas questões no currículo escolar.

Maria Ednalva Barbosa relatou a sua passagem pela Coordenadoria da Mulher, órgão da Prefeitura que funcionou durante vários anos em gestões anteriores, recebendo inclusive a assessoria da Unicamp e da Unitau. Durante a sua gestão os recursos foram sendo cortados impedindo uma atuação mais eficiente, dependendo do auxílio e do apoio e coleta de recursos entre pessoas de boa vontade para montar cestas básicas, para a compra de medicamentos e atender outras necessidades mais urgentes, como abrigar mulheres ameaçadas por seus parceiros. Os cursos que são fornecidos para geração de renda, em geral não cumprem sua finalidade porque não se conseguiu ainda melhorar a qualidade e organizar a venda para que haja o retorno econômico desejável.

Ficou bastante claro que, para que exista uma rede de Ação Proteção à crianças e adolescentes é necessário que os diferentes conselhos funcionem realmente; é necessário a organização da proteção da mulher e o envolvimento de todos os setores da sociedade, especialmente das escolas e dos agentes comunitários de saúde.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

EDUCANDO PARA A BOIOLICE?

José Ribamar Bessa Freire
29/04/2007 - Diário do Amazonas




Peru, 1975. Dentro de um táxi, enfrento o trânsito caótico das ruas de Lima. O motorista realiza manobras ilegais e perigosas, correndo como um alucinado, furando sinais, xingando, entrando na contramão. Costura daqui, costura dali. Na Avenida La Marina, tenta ultrapassagem temerária pela direita. Coloco meu braço pra fora, abanando freneticamente a mão para avisar o outro carro que ia ser fechado. Contrariado, o taxista me repreende. Explico: só estou querendo ajudar. Ele liquida o assunto:

- No hagas eso! Si no van a pensar que no soy macho.

O taxista estava convencido de que sinalizar era demonstrar medo e que dar uma fechada provava sua coragem e virilidade. Por isso, preferia arriscar mil vidas a ser considerado um ‘maricón’. Quando homens necessitam dirigir agressivamente para afirmar sua masculinidade é porque a sociedade está doente e as normas de convivência foram para o beleléu. Mais grave ainda quando alguém defende que é exatamente assim que os professores devem educar seus alunos: formando machos e não boiolas.

A pedagogia do taxista

Essa é a tese de Olavo de Carvalho em artigo ‘Educando para a boiolice’ no Diário do Comércio, no qual discute a responsabilidade pelo massacre ocorrido na Virginia Tech. Ele pergunta: “Por que ninguém atacou o coreano maluco enquanto ele recarregava sua pistola?” A resposta é contundente: por causa da “epidemia de frescura na escola”, que forma alunos “tímidos, fracotes e efeminados”. O autor usa depoimento de seu filho Pedro, que estudou um ano e meio na Virginia. O rapaz, falando por experiência própria, confirma: "É uma educação para boiolas".

Não sabemos se Pedro, filho de peixe, foi bom aluno. Mas seu pai adverte que boiola - cujo equivalente em inglês é sissy - “não é necessariamente um gay”. Boiolice nada tem a ver com o sexo, é “uma covardia abjeta, um desfibramento da alma, uma pusilanimidade visceral que os educadores de hoje em dia consideram o suprassumo da perfeição moral. É a fórmula da pedagogia usada nas escolas públicas americanas”.

Se os jovens são obrigatoriamente efeminados é porque “passam o ano inteiro só aprendendo boiolice”, ensinada em “cada página dos manuais didáticos” e nas aulas. “Cada vez que um professor abre a boca em sala de aula, espalha mais um pouco desse entorpecente pedagógico nos cérebros infanto-juvenis”.

Contra tais princípios, o autor defende pedagogia similar a do taxista: “As escolas têm de ensinar os meninos a serem mais agressivos”. Justifica, afirmando que a bandidagem só ataca nas escolas porque sabe que os estudantes são boiolas. Propõe: “As escolas têm de planejar sua defesa e reagir com igual agressividade. O treinamento tem de ser tão intensivo e levado tão a sério quanto o assassino leva a sério sua missão de matar”.

A Escola do Carvalho

Segundo o autor, o modelo que transforma a sala de aula num campo de batalha deve ser implantado, no Brasil, cuja situação é ainda “mais desesperadora que a dos americanos” porque no nosso país “a boiolice está espalhada entre homens adultos, nas ruas, nas fábricas, nos escritórios e essa gente tem medo de armas até quando vistas pelo lado do cabo”. Faça o teste, leitor, para saber se você é boiola!

Fico imaginando o ‘treinamento intensivo’ nessa que é uma escola do cacete, digo, do carvalho. No currículo do Maternal, para aquecer as crianças, devem constar obrigatoriamente as disciplinas “Xingamentos e Palavrões” “Tapas, Bofetes e Mordidas” e “Pistolas de água”. No Ensino Fundamental seriam ministradas “Armas brancas” e depois “Introdução ao manejo de armas de fogo”, como pré-requisito para “Técnicas de Pontaria”, “Tiro ao alvo I e II” e “Explosivos e Granadas”.

O leitor amazonense, perplexo, se pergunta: “Mas, afinal, quem é Olavo de Carvalho no jogo do bicho?” A página pessoal do dito cujo na internet não economiza auto-elogios e afirma na maior cara-de-pau: “Olavo de Carvalho, nascido em Campinas, SP, em 29 de abril de 1947, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros”. Eita ferro! Não é gozação não! Juro que está escrito assim. Qualquer leitor pode ir lá e conferir.

Ex-colunista do jornal O Globo, da revista Época e do diário Zero Hora, Olavo de Carvalho foi desligado, quando descobriram que ele não é aquilo que ele diz que é. Revoltado, escreveu: “Querem saber do que mais? O corte brutal do meu orçamento doméstico é, nas presentes condições, uma libertação. Vou mais é para Virginia Beach tomar banho de mar e participar da alegria nacional deste país hospitaleiro e generoso. O Globo que se dane”.

Comicidade intraduzível

O Globo não se danou, mas Olavo hoje mora em Richmond, na Virginia. No entanto, o visto de residência concedido pelo ‘país hospitaleiro’ não lhe permite exercer trabalho remunerado. Sua página na internet, escrita por ele próprio, explica que é difícil os americanos entenderem seus ensaios eruditos, porque ele usa “a linguagem popular, incluindo muitos jogos de palavras do dia-a-dia brasileiro, de grande comicidade, praticamente intraduzíveis”, o que confere aos textos “uma profundidade surpreendente”.

A profundidade é discutível, mas quanto à comicidade, ele tem razão: ela é intraduzível até ao português. Por essa razão, Carvalho sobrevive ministrando cursos à distância de História da Filosofia para alunos no Brasil, escrevendo para o Jornal do Brasil e o Diário do Comércio e recebendo contribuição de admiradores, entre os quais estão militantes da Ação Integralista Brasileira, organização de extrema-direita.

Olavo de Carvalho parece que não perdoa o fato de ter ficado de fora da academia. Por isso, esculhamba as universidades e os intelectuais. “A USP sempre foi o templo da vigarice intelectual”, ele escreve. Marilena Chauí e Artur Gianotti são “impostores”. Em contrapartida, é motivo de chacota nas universidades, onde ninguém o leva a sério.

Henrique Sobreira, professor da UERJ, fez a maior gozação: “Depois de décadas ‘dormindo na caixa’, Olavo de Carvalho, finalmente, ‘saiu do armário’. A comunidade GLS, que suportou anos a fio o seu destilado preconceito, lhe dá uma solene ‘beijoca’ de boas vindas ao Clube cor-de-rosa”. Ele recomendou que Olavo lesse vários textos do filósofo alemão Theodor Adorno, nos quais analisa o conceito de “educação para a dureza”, próprio do facismo. Gilberto Moraes, outro professor da UERJ, da área de Engenharia, acredita que “Olavo nunca esteve diante de uma arma, passível de tomar um tiro de um bandido”.

O que Carvalho não entende é que a vitória do pensamento macho-taxista-carvalhista é a morte da sociedade. Não é a escola que deve ficar “macha”, mas a sociedade que deve viver os valores humanistas. Isso é possível, conforme Nelson Mandela, porque “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Mas para isso é necessário, com todo respeito, aquilo que Carvalho denomina de uma “escola-boiola”. Vai ver o negão Mandela falou isso porque é ‘boiola’, pensará Carvalho, que é macho pacas.

ALÔ ALÔ, REALENGO!

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José Ribamar Bessa Freire
10/04/2011 - Diário do Amazonas




Não tinha amigos, não batia papo nem contava piada, nunca namorou, jamais lhe deram um cheiro no cangote ou alisaram sua mão, nunca transou, não torcia por time algum, nunca foi ao Maracanã, não xingou juiz de ladrão, de sua garganta jamais saiu um grito apaixonado de gol, não desfilou em qualquer bloco de carnaval. Passava o tempo na internet, em jogos eletrônicos, mas nunca recebeu um aviso no facebook solicitando: “me adicione como amigo”.Seu perfil social no orkut tinha "zero amigos".
Esse filme a gente já viu. Ele é americano. Surge, agora, uma produção brasileira, um compacto que mistura roteiros das várias versões importadas dos Estados Unidos. Aqui o cenário foi uma escola em Realengo, no subúrbio carioca. O personagem principal invadiu a escola, executou friamente doze alunos e feriu mais de dez. Foram importados dos Estados Unidos seu nome – Wellington - e os dois apelidos - Sherman e depois Suingue, botados pelos colegas.
O primeiro foi inspirado na figura nerd de Chuck Sherman, “the Sherminator”, do filme American Pie. O segundo, no seu jeito desajeitado de caminhar, causado por uma perna ligeiramente menor que a outra, que produz um balanço, um ‘suingue’, no dizer debochado dos colegas. Na versão americana de Ohio, o aluno H. Coon, que entrou na escola e atirou em quatro colegas antes de se suicidar, também mancava e ficou conhecido pelo apelido de Deixa-que-eu-chuto.
A história de Wellington começa a ser contada, aos fragmentos, por colegas, vizinhos e irmãos adotivos entrevistados pela mídia, com registros esparsos sobre seu nascimento e sua passagem pelo mundo da família, da escola e do trabalho. Aliás, ele não nasceu, foi excluído do ventre de sua mãe - uma moradora de rua com problemas mentais.
Precisa de carinho
Na escola, usava calças com cós acima da cintura e meias até os joelhos. A menina mais bonita da turma se jogava em cima dele, fingindo assediá-lo, só pra sacanear. Ganhou fama de homossexual. Não reagia às agressões, à semelhança do estudante de origem sul coreana, nos Estados Unidos, Cho Seung-hui, que matou 32 pessoas na Universidade de Virginia e deixou uma carta dizendo ter sido discriminado como um bicho: “eu morro como Jesus Cristo, para inspirar gerações de pessoas fracas e indefesas”.
Seguindo o modelo americano, Wellington também escreveu uma carta, “rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte”. Nela, deixou um testamento, legando sua casa para alguma instituição encarregada de cuidar dos animais abandonados, “pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar”.
Wellington não tinha o poder de se comunicar. “Mal ouvíamos a voz dele, vivia no mundo dele – contou uma vizinha. “Era muito calado, muito fechado e a galera pegava muito no pé dele, mas não a ponto de ele fazer isso – disse seu ex-colega Bruno Linhares, 23 anos, se referindo ao massacre. Precisava de proteção e carinho?
Outros colegas admitiram que o rapaz foi vítima de ‘bullying’ na Escola Municipal Tasso da Silveira, onde estudou de 1999 a 2002, quando sofreu constantes intimidações. “Além de tudo, ele ainda tirava notas baixas” – completou Bruno. No 8º ano, ficou em recuperação em quase todas as matérias.
“A gente chorou muito pensando que Wellington matou aquelas 12 crianças em represália pelo que aconteceu com ele quando nós estudávamos juntos” – contou Thiago da Cruz, outro ex-colega, que usou o adjetivo assustador para se referir ao bullying e à chacota a que Wellington foi submetido. Em entrevista à Folha, reconheceu que não suspeitava do dano que cometeram e acrescentou chorando: “Não era para ninguém ter pago por uma coisa que nós fizemos”.
“Ele era tímido e calado” – confirmou ao Globo o gerente da fábrica de alimentos Rica, sediada em Jacarepaguá, adiantando que Wellington permaneceu silencioso o tempo todo numa dinâmica de grupo realizada na firma, onde trabalhou durante dois anos como auxiliar de almoxarifado. A indústria, que abate 170.000 aves por dia e aloja cerca de 46 milhões de pintos, considerou “baixa” a produtividade dele.
Por isso, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, foi excluído do trabalho, demitido em agosto de 2010. Ficou desempregado. Depois da morte da mãe adotiva, passou a morar sozinho mergulhado na mais extrema solidão. Não foi apurado ainda com que recursos ele sobreviveu nos últimos meses.
Nessa quinta feira, 7 de abril, vestido de preto e com duas armas, como o menino de Ohio, Wellington voltou ao local do crime - a escola onde estudou - para acabar com aquilo que o molestara. Incorporou o apelido de “the Sherminator”, encurralou e executou 12 crianças, feriu outras 13, quase todas mulheres, num banho de sangue nunca visto numa escola brasileira. Depois, ferido, se suicidou com um tiro na boca.
Escola de merda
Errou o alvo. Atirou no que viu e matou o que não viu. Ceifou os sonhos de Larissa,14 anos, que queria ser modelo; de Bianca, a gêmea de 13 anos, que gostava de navegar na internet; de Mariana, 12 anos, o xodó da família, que adorava tirar fotografias; de Géssica, 15 anos, uma menina alegre que havia feito planos de estudar na Marinha; de Igor que gostava de futebol, torcia pelo Flamengo e jogava na Escolinha do Vasco. E de tantas outras adolescentes sonhadores.
“Ela morreu naquela escola de merda” gritava dentro do hospital dona Suely, mãe de Géssica. Familiares e amigos ficaram imersos no desespero, na revolta, na dor e na perplexidade. Como foi possível isso acontecer? Podíamos ter evitado? Como?
- “Poderia ter sido um de nós, um de nossos filhos” – escreveu uma leitora do Globo, sem atentar que foram doze de nós, doze de nossos filhos. Por isso é que o Brasil inteiro se sentiu ferido com os tiros disparados por Wellington, que atingiu a todos nós, embora com intensidade diferente.
O presidente do Senado, José Sarney, sempre ‘brilhante’, sugeriu que “o governo deve, a partir desse episódio, reforçar a segurança dentro das escolas brasileiras e até mesmo incluir no currículo um item chamado segurança”. Outras sugestões foram feitas: instalação de câmeras, detectores de metal, catracas, guaritas, porteiros armados. Por que não canhões? Ou fossos ao redor como nos castelos feudais? Isolar a escola da comunidade onde está encravada é alguma garantia de segurança?
A prefeitura do Rio chegou a iniciar, em novembro do ano passado, a contratação de porteiros para as escolas, mas houve denúncias de que as vagas estavam sendo loteadas através de indicação política, naquele modelo que o Sarney gosta, usa e abusa. Suspenderam as contratações e abriram uma CPI.
O governador Sérgio Cabral, ainda desorientado, diagnosticou o assassino como “psicopata”, como um “animal”, reforçando as palavras de Sarney para quem Wellington é “um fanático”, “um fronteiriço, possesso – esta é a palavra – entre a loucura e a maldade”. O diagnóstico dos dois configura ‘exercício ilegal da profissão’.
Quem produziu Wellington? Por que um espetáculo tão macabro, no qual todos somos perdedores? Se não procurarmos responder essa pergunta, outros Wellingtons surgirão, tirando o gostinho dos Bolsonaros por seu linchamento, já que se suicidou. O diabo é que estamos todos perplexos, confusos. Quem diz que sabe o porquê do acontecido, sinalizando um único fator como a causa de tudo, comete um erro. Uma certeza nós temos: nem o presidente do Senado nem o governador sabem o que dizem.
No meio de tanta dor, não temos ainda a grandeza sequer de dizer: Descansa em paz, Wellington. Desconfio que além das pessoas tocadas de perto pela tragédia, precisamos todos, os 180 milhões de brasileiros, de assistência psicológica. Enquanto isso, só nos resta fazer como os familiares das crianças assassinadas e os moradores de Realengo que nesse sábado deram um enorme abraço na Escola Tasso da Silveira.
Alô, Alô, Realengo, aquele abraço solidário e aquele cheiro no cangote que Wellington nunca recebeu, levando consigo três fiapos de humanidade: o beijo na testa da professora de literatura, a preocupação com os animais desamparados e a retirada de um aluno de sua mira: “fica frio, gordinho, que eu não vou te matar”.

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