sábado, 30 de julho de 2011

Novo filme de Silvio Tendler denuncia perigo dos agrotóxicos

O Teatro Casa Grande, no Leblon, ficou lotado no dia 25 de julho para o lançamento de O veneno está na mesa, o mais novo documentário do cineasta Silvio Tendler. Em apenas 50 minutos, o filme mostra os enormes prejuízos causados por um modelo agrário baseado no agronegócio. Além dos ataques ao meio ambiente, os venenos cada vez mais utilizados nas plantações causam sérios riscos à saúde tanto do consumidor final quanto de agricultores expostos diariamente à intoxicação. Nessa história toda, só quem lucra são as grandes empresas transnacionais, como a Monsanto, Syngenta, Bayer, Dow, DuPont, dentre outras.



Nós somos as grandes vítimas dessa triste realidade, já que o Brasil é o país do mundo que mais consome os venenos: são 5,2 litros/ano por habitante. A ANVISA denuncia que, em 2009, quase 30% dos mais de 3000 alimentos analisados apresentaram resultados insatisfatórios, com níveis de agrotóxicos muito acima da quantidade tolerável. Apesar do quadro negativo, o filme aponta pequenas iniciativas em defesa de um outro modelo de produção agrícola. Um importante exemplo vem da Argentina: em 20 09, a presidenta Cristina Kirchner ordenou à ministra da saúde, Graciela Ocaña, a abertura de uma investigação oficial sobre o impacto, na saúde, do uso de agrotóxicos nas lavouras. Enquanto isso, no Brasil, há incentivo fiscal para quem usa esses produtos, gerando uma contradição entre a saúde da população e a economia do país, com privilégio da segunda.

Fonte: NPC

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Da turma do fundão aos tímidos: pesquisa mostra tipos de alunos

A patricinha, o roqueiro, o sonolento, a estudiosa. Os tipos de alunos encontrados em uma escola já foram retratados com humor em filmes adolescentes e em videoclipes musicais, mas agora pesquisadores da Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) traçaram um perfil psicológico de 51 mil pessoas que deve servir para que os professores "entendam seus alunos".
Fazendo uso de um questionário online (www.temperamento.com.br), os estudiosos analisaram o perfil de pessoas com idades entre 11 e 32 anos. Médico psiquiatra e professor titular da Faculdade de Biociências da PUCRS, Diogo Lara aplicou os resultados obtidos em uma sala de aula e concluiu que, dentro de um ambiente de ensino, existem quatro perfis de estudantes: estáveis, internalizados ou inibidos, instáveis e externalizados.
De acordo com ele, esses perfis são baseados em características pessoais e sentimentos que se manifestam no indivíduo durante uma aula, seja da escola ou da faculdade. "Os tipos são determinantes para o sucesso ou fracasso do ensino. O desafio do professor é se adequar aos seus estudantes para aumentar o rendimento da turma", diz.
O perfil predominante em uma escola são os estáveis, que compreendem 30% da população escolar. "Eles são perfeccionistas, bem dispostos e têm perfil de liderança. É o grupo mais fácil de trabalhar, pois se adaptam a diferentes tipos de atividades com facilidade", explica Lara. Contudo, o mesmo não acontece com os internalizados ou inibidos, que representam de 20% a 25% dos estudantes e possuem características como timidez e depressão. Eles lidam bem com aulas expositivas, mas não gostam de trabalho em grupo. Além disso, participam pouco da aula.
Os conhecidos como "galera do fundão", também foram identificados na pesquisa, em que receberam a denominação de instáveis e representam de 20% a 25% dos alunos em uma sala de aula. Possuindo comportamentos como alternância de humor e agitação, esse grupo tende a não lidar bem com regras e ensinamentos monótonos. Segundo o psiquiatra, os professores devem ser pacientes com este grupo e saber conversar. Aulas interativas são bem recebidas por eles.
Por fim, existem ainda os externalizados, que também se sentam no fundo da sala e representam de 20% a 25% dos estudantes. Conforme o estudo, eles são desinibidos e não gostam de aulas formais, preferindo atividades dinâmicas e esportivas, nas quais possam descarregar energia. Lara explica que a diferença deste grupo para os instáveis está na forma como lidam com conflitos. "Os instáveis se magoam, e os externalizados passam para a briga", define. Ou seja, os grupos externalizados e instáveis, que juntos representam 40% dos estudantes, não aprendem com o tipo de aula mais usada nas escolas: as expositivas.
O pesquisador explica que o estudo comprova que o sucesso em sala de aula depende da capacidade do professor de saber ler seus alunos e variar os tipos de exercícios para atingir todos os grupos. "Em uma sala de aula, sempre vai existir os quatro perfis. Mas se houver predomínio de algum tipo, o professor deve se adaptar para dar aulas em um estilo que se encaixe mais com a maioria. Por exemplo: dar aulas mais dinâmicas e interativas em uma turma com mais instáveis e externalizados", recomenda.
Observação e intuição do professor ajudam a identificar perfis
Para os professores que desejam reconhecer os perfis dos seus alunos, Lara sugere analisar o local onde os estudantes costumam sentar. Os estáveis, por exemplo, preferem as mesas no centro ou na frente da sala. Os Inibidos, geralmente, escolhem as cadeiras da frente, e os externalizados e instáveis se reúnem nas classes do fundo. "Normalmente, os educadores conseguem perceber isso por intuição e observação. A questão é saber se eles estão trabalhando com essa diversidade", diz.
Ou seja, segundo sugere o psiquiatra, não é preciso usar metodologia científica para identificar os diferentes tipos de alunos em uma aula. Com sensibilidade, alguns professores fazem suas próprias definições de perfis e trabalham a partir disso.
O professor universitário Arievaldo Alves de Lima, da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, tem o costume de observar muito seus alunos nos primeiros dias de aulas e realizar atividades interativas seguidas de alguns questionários. O objetivo do educador de Ciências Contábeis é traçar o perfil de seus estudantes para saber qual o tipo de aula será mais eficaz para cada um deles. "Cada um tem o seu modelo próprio de ação e recepção do aprendizado, e o professor precisa compreender isso", afirma.
Lima conta que passou a ter essa sensibilidade somente depois que se formou em Pedagogia. Devido a anos de experiência e observação, o professor também traçou quatro perfis de alunos. O primeiro grupo é o que Lima chama de diplomatas: "Esse aluno prefere trabalhar com pessoas a lidar com informação escrita; prefere estudar em grupo e gosta de atenção especial do professor". Também existem os burocratas, que gostam de trabalhar sozinhos com leituras, textos e exercícios. "Esse grupo tende a rejeitar atividades subjetivas, pois eles dão valor à informação documentada que faz com que tenham controle de seu estudo. Além disso, eles costumam pensar muito antes de falar, o que resulta em uma baixa participação em sala de aula", afirma Lima.
Outro perfil de estudante observado pelo professor são os práticos, que preferem que a aula vá direito ao ponto, sem ações paralelas. "Eles gostam de realizar exercícios e preferem trabalhar sozinhos. Minha dica para trabalhar com eles é abusar de listas como, cinco regras para acentuar bem, três axiomas de probabilidade, etc.". Contudo, este tipo de exercício não irá funcionar para os radicais, que respondem a aulas cheias de novidades e interatividades. "Eles basicamente são a turma do fundão e se interessam por aulas em power point, com vídeos e cheias de histórias ilustrativas e curiosas", ensina.
A professora de inglês e espanhol da Escola de Idiomas CCAA, de Diadema (SP), Zailda Coirano, define seus alunos pela motivação de cada um deles para estar ali. Ela afirma perceber que alguns alunos são motivados pela vontade de serem os melhores da turma e ser reconhecidos por isso, outros, somente pelo desejo de fazer amigos e serem aceitos pelo grupo. Um último grupo é o que ela chama de individualistas, são preocupados com o conteúdo em si e com sua própria compreensão e aprendizagem.
"Quando um aluno está com dificuldades, por exemplo, eu vou incentivá-lo de acordo com sua motivação. Se ele for individualista, vou dizer que ele deve melhorar para não rodar, por exemplo. Já se ele for preocupado com o grupo, vou usar o argumento de que ele precisa estudar para acompanhar os colegas", ensina, destacando que percebeu um maior rendimento dos alunos quando passou a trabalhar dessa forma.

http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI5267453-EI8266,00-Da+turma+do+fundao+aos+timidos+pesquisa+mostra+tipos+de+alunos.html

Mulheres na Ciência 2011 anuncia vencedoras

29/07/2011

Agência FAPESP – Foram anunciadas as pesquisadoras brasileiras vencedoras do prêmio L’Oréal/Unesco/ABC para Mulheres na Ciência 2011. Elas receberão bolsa-auxílio, em reais, no valor equivalente a US$ 20 mil para ajudar no desenvolvimento de seus projetos de pesquisa.

O anúncio foi feito pelo júri do prêmio, que é coordenado pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis. A cerimônia de entrega do prêmio será em 28 de setembro, no Rio de Janeiro.

As vencedoras são: Ana Luiza Cardoso Pereira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Daniella Bonaventura e Viviane Ribeiro Tomaz da Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais; Josimari Melo de Santana, da Universidade Federal de Sergipe; Mariana Antunes Vieira, da Universidade Federal de Pelotas; Rubiana Mara Mainardes, da Universidade Federal do Centro-Oeste; e Tatiana Barrichello, da Universidade do Extremo Sul Catarinense.

Pereira, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, foi a escolhida na área de Ciências Físicas por seu projeto “Propriedades eletrônicas e efeitos de desordem em mono e em multicamadas de grafeno”. A pesquisadora realizou mestrado e pós-doutorado, com Bolsa da FAPESP, no Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.

Mainardes foi laureada pelo projeto “Desenvolvimento tecnológico e avaliação da eficácia e toxicidade de sistemas nanoestruturados poliméricos contendo anfoterecina B”. A pesquisadora também realizou doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, com Bolsa da FAPESP.

De acordo com os promotores do evento, desde 2006, a cada ano, sete jovens cientistas são escolhidas pela qualidade e pelo potencial de suas pesquisas desenvolvidas em instituições brasileiras.

No total, 40 cientistas já foram beneficiadas pelo prêmio, que, por meio do auxílio financeiro, podem dar continuidade aos seus projetos e se beneficiar com a visibilidade que o prêmio lhes traz.

Mais informações: http://loreal.abc.org.br

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A REPRESENTATIVIDADE DOS CONSELHOS

Como é de conhecimento público, a Conferência de Saúde quase não foi realizada e corre o risco de ser anulada por não ter seguido todos os trâmites legais.

Durante a Conferência, em vários momentos tentou-se jogar a culpa do não funcionamento dos conselhos à falta de participação da sociedade civil, inclusive alegando que precisavam ser preenchidas quatro vagas. No entanto, até hoje não foi muito bem esclarecida a anulação de uma das eleições. O Secretário de Saúde chegou a questionar a representatividade de algumas instituições que concorreram, sob a alegação de que não estavam legalizadas e queriam fazer uso político.

Tenta-se vender à sociedade a idéia de isenção do poder público, mas qualquer governante para ser eleito precisa pertencer a um partido político. Portanto, defende propostas que não são de todos. No caso de Ubatuba, o partido no poder é o DEM que reparte esse poder entre os coligados, mas cujos postos principais são reservados àqueles que rezam na cartilha do prefeito e, como são cargos de confiança, se não rezarem por essa cartilha podem perder a “boquinha”. Para isso, procuram se legitimar, impedindo os outros partidos de apresentarem propostas, como se isso não fosse legítimo. E o pior, é que tem muita gente que cai nesse canto de sereia. Me engana que eu gosto.

Faz parte do jogo democrático a disputa de propostas pela sociedade e é bom lembrar que se em Ubatuba houvesse dois turnos, talvez o resultado seria diferente. A conseqüência de não ter dois turnos é que o prefeito não foi eleito pela maioria, talvez não mais que 1/3 dos eleitores.

Voltando à questão da representatividade, alega-se que poucas associações estão regulares. Quando assumi a Associação dos Moradores da Pedreira ela também estava irregular e devendo multas ao governo federal. Não tive nenhum apoio da Coordenadoria de Assuntos Comunitários e, mesmo tendo pós graduação tive dificuldades para regularizá-la e tive que recorrer a um escritório de contabilidade e a um advogado. Não havia verba para pagar as despesas porque é um bairro pobre. Nessa época, vi uma lista em que havia cerca de cem instituições da sociedade civil mas poucas estavam legalizadas e aptas a participarem dos conselhos existentes. Como participava da equipe de coordenação do plano diretor da região centro, apontei como sugestão a necessidade da Coordenadoria de Assuntos Comunitários realmente cumprir sua função orientando e auxiliando as associações a se regularizarem para poderem participar das decisões nos conselhos.

Como não era atendido em nenhuma das reivindicações do bairro, várias vezes critiquei a atuação do executivo municipal. Percebi que a Coordenadoria passou a monitorar até quando era meu mandato e quando haveria novas eleições. Por um “acaso”, houve dois candidatos concorrendo comigo e os dois, por coincidência eram funcionários da prefeitura. E o que ganhou, ainda que por pouca diferença, era agente de saúde e tinha acesso a todos os moradores, inclusive em horário de serviço. E por coincidência, depois que se tornou presidente deixou de ser um simples agente de saúde para ocupar outros cargos. E por coincidência, quando a associação estava no “buraco”, com toda a escrituração irregular, foi convidado para participar da chapa comigo e não aceitou. Por que será ? Hoje faz parte de vários conselhos como representante da prefeitura.

Como se sabe os conselhos são paritários – metade pertence à sociedade civil e metade ao executivo. Como as votações são por maioria simples, metade mais um, é só os representantes do executivo votarem em bloco e conquistarem mais um. Como qualquer benfeitoria realizada pelo executivo é vista como um favor, e não como um direito, e como a cidade é carente de quase tudo, fica muito fácil para o executivo conseguir mais um voto e assim impedir que se questionem suas contas e sua atuação. É assim que dá para entender a crise dos conselhos e o afastamento das pessoas mais críticas e que não concordam com tudo o que está acontecendo.

PREFEITURA SÓ PEGA NO TRANCO

Na última quarta feira (20/04) alertei ao CMDCA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – que tanto o governo federal quanto o governo estadual já haviam publicado a convocação para a Conferência da Juventude e que dia 01/08 era o prazo final para a Prefeitura fazer a convocação. Expliquei a importância dessa convocação porque suas deliberações servirão para a elaboração do Plano Nacional da Juventude, que orientarão as políticas públicas de atendimento aos cidadãos entre 15 e 29 anos, ou seja, para quase 20% da população.

Como a proposta era desconhecida de todos os presentes, passei ao Dr. Marcelo Mourão que se encontrava presente, uma cópia do regimento nacional, o qual deve ser adequado à situação municipal.
Essas informações e o texto do regimento também foram encaminhados por mim a muitas pessoas há quase um mês.

Sexta feira recebi um telefonema da Presidente da FUNDAC marcando uma reunião para quinta feira. Fiquei bastante satisfeito porque considero necessário e urgente que a própria juventude discuta sua situação e aponte propostas para superação de seus problemas. No entanto, nesta quarta, 27/07, a Presidente da FUNDAC me comunica que a reunião de quinta foi adiada, sem data certa para acontecer.

Em 26/07, leio no Imprensa Livre a seguinte manchete : “Prefeitura discute implantação do projeto “Juventude Saudável” e no interior do texto a seguinte afirmação: “ “O poder público está unido no sentido de oferecer ainda mais suporte para que nossos jovens tenham, por exemplo, melhores opções de entretenimento para permanecerem longe do mundo das drogas e da violência. Desde o início da nossa administração, o prefeito Eduardo Cesar tem demonstrado bastante empenho e preocupação no sentido de oferecer melhor qualidade de vida à juventude ubatubense”.

Tenho que discordar dessa afirmação pois se ela fosse verdadeira não permitiria a desativação do Conselho Sobre Drogas a quem cabe a instituição do Programa Municipal Antidrogas (PROMAD), acompanhamento das ações de fiscalização e repressão executadas pelo Estado e pela União e estimular o encaminhamento e o tratamento de usuários de substâncias causadoras de dependência física ou psíquica.

Também temos ouvido muitas reclamações de que os atletas de Ubatuba muitas vezes não podem participar de campeonatos fora da cidade por falta de apoio da Prefeitura. Aqui, na Pedreira, foi aterrado uma área para servir de campo de futebol e foi prometido uma tela para cercar a quadra. Ainda bem que na praça tem uns bancos para o pessoal esperar o cumprimento da promessa.

A rapidez na resposta parece muito mais uma tentativa de emplacar o provável candidato a sucessor pois em todas as matérias sempre há menção do nome do seu nome e fotos, como aconteceu na abertura da Conferência da Saúde. Graças a isso, os cidadãos de Ubatuba vão ter acesso a todas as conferências, atitude muito diferente do ano passado em que o município não convocou nenhuma pois ainda estava muito longe das eleições.

Imprensa não pode ver condições dos presídios paulistas

Por Pedro Canário

A imprensa vai continuar fora das prisões paulistas por um bom tempo. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP-SP) do estado reafirmou nesta quarta-feira (27/7) que não vai permitir que jornalistas acompanhem os mutirões carcerários do CNJ nas inspeções a penitenciárias.

Os mutirões, que percorrem todos os estados do Brasil, analisam a situação dos condenados à prisão do país. Veem, por exemplo, se eles estão detidos no regime certo, ou se estão cumprindo pena dentro do que foi estabelecido na execução.Parte do mutirão é visitar presídios e analisar suas condições, registrar queixas de servidores, agentes penitenciários e,principalmente, dos presos.

Em visita à etapa paulista do mutirão, cuja sede é o Fórum Criminal Central da Barra Funda, o secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Lourival Gomes, disse que “não deixa e nem vou deixar” a imprensa entrar em presídios no estado. Não quis abrir seus motivos, afirmou apenas que era “por uma questão de sensibilidade”.

O coordenador nacional do mutirão carcerário, o juiz Luciano Losekann, também não entende exatamente quais são as razões do governo estadual. Ele aproveitou a visita do secretário para pedir, mais uma vez, que os jornalistas possam acompanhar o CNJ nas visitas às prisões. Sem sucesso. Segundo Losekann, o secretário Gomes reclamou que a imprensa é “pouco compreensiva” com as razões do governo estadual e suas políticas. “Mas sou da opinião de que quem não deve, não teme”, provoca o juiz, ao contar que nenhum outro estado adotou tal medida.

Esmar Filho, um dos juízes convocados pelo CNJ para visitar os presídios, concorda com Losekann. Filho acha a posição da SAP “inadmissível”. Em suas posições, é claro: “não se cabe esconder o que é da administração do Estado. A coisa pública não é caixa preta”. De qualquer foma, à assessoria de imprensa do CNJ, não há restrições de entrada em presídios.

Pedro Canário é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 27 de julho de 2011

Brasil ganha ouro na Olimpíada Internacional de Física

28/07/2011

Por Mônica Pileggi

Agência FAPESP – Na 42ª edição da Olimpíada Internacional de Física (IPhO), o Brasil ganhou sua primeira medalha de ouro. É o primeiro ouro de um país ibero-americano na competição, que desta vez ocorreu em Bangcoc, na Tailândia, de 10 a 18 de julho.

Gustavo Haddad Braga, aluno do Colégio Objetivo de São Paulo, foi responsável pelo feito inédito. Ivan Tadeu (também do Colégio Objetivo de São Paulo), Lucas Hernandes (Colégio Etapa de São Paulo) e os cearenses José Guilherme Alves (Colégio Ari de Sá) e Ricardo Duarte Lima (Colégio Farias Brito) ficaram com o bronze.

A Olimpíada Internacional de Física é uma competição anual voltada a estudantes de todo o mundo que estejam cursando o equivalente ao ensino médio brasileiro. Os brasileiros concorreram com 394 alunos de 84 nacionalidades.

“Apenas 8% dos alunos do torneio recebem a medalha de ouro. Isso significa que o Gustavo faz parte de um grupo seleto, onde estão os melhores alunos do mundo na área da física, para o mesmo nível que o dele”, disse Euclydes Marega Júnior, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), à Agência FAPESP.

A seleção para participar da IPhO, da qual o Brasil participa desde 2000, ocorre por meio da OBF. Organizada pela Sociedade Brasileira de Física, a olimpíada nacional tem como objetivos estimular o interesse pela disciplina, aproximar o ensino médio das universidades e descobrir novos talentos para representar o país em torneios ao redor do mundo.

“Na OBF participam cerca de 600 mil jovens. Desse total, selecionamos cinco para representar o Brasil na IPhO. O processo de preparação para a competição internacional leva dois anos e meio”, explicou Marega.

Além da IPhO, os brasileiros são preparados para concorrer à Olimpíada Ibero-Americana de Física. Segundo a SBF, nas duas competições, nenhum país da América Latina conquistou tantas medalhas quanto o Brasil.

A olimpíada internacional consiste em duas provas, sendo uma delas de conteúdo experimental. Marega salienta a dificuldade dos estudantes brasileiros de executar na prática o que aprendem nas salas de aula. “A física é uma ciência da natureza. Em nosso sistema de ensino, o aluno aprende apenas a teoria, sem a experimentação. Isso ocorre também em disciplinas como a química e a biologia”, pontuou.

Embora o desempenho do Brasil na 42ª IPhO tenha sido de destaque, Marega ressalta a carência de talentos e a necessidade de melhorias no sistema educacional do país.

“Uma competição como essa pode servir como estímulo aos professores para que se dediquem mais ao preparo dos estudantes”, disse.

Mais informações: www.sbfisica.org.br